A luz da bibliografia estudada no curso de Regimes e Formas de Governo e dos debates em sala de aula, comente o vídeo acima. A prova será realizada no período das 20h às 22h não sendo consideradas respostas colocadas antes ou depois desse horário. Somente a resposta ao comentário do moderador será considerada até às 23h.
Critérios
1. Responder em dupla (se não tiver fazê-lo individualmente) nos comentários a esse post.
2. Na resposta à questão, citar pelo menos uma das bibliografias trabalhadas no curso.
3. Comentar a resposta da dupla de cima. Se você for o primeiro, entrar novamente na discussão posteriormente para comentar ao menos uma resposta.
4. Responder aos comentários do moderador.
Prof. Mestrando Anderson Ricardo Carlos (PPG Ensino e História das Ciências).
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirDupla Pedro Saraiva e Vanessa Carolina
ResponderExcluirCom base em uma parte do texto de Francisco Carlos Teixeira da Silva sobre Fascismos, em que se discorre sobre “A destruição do eu e a negação do outro”,podemos claramente correlacionar a temática do vídeo com a ideia do advento do homem tecnológico, que segundo Teixeira seria afastado da capacidade de se importar ou amar o próximo, mas que em contrapartida passaria a amar as máquinas, a tecnologia, como vemos na animação apresentada. Tal mudança tornaria o individuo frio e distante de suas relações com o outro, transferindo todo seu potencial afetivo às máquinas.
O sistema vigente nutriria então tal comportamento, já que dessa forma a manipulação de grandes massas seria facilitada, pois a incapacidade de se importar com o semelhante se relaciona com a aniquilação total de sua individualidade e por conseguinte tal fato levaria à busca de um padrão, de um líder que substitua tais lacunas de relações e que comande o dado grupo.
Monise Martins 21044312
ExcluirWillian Habermann 21084012
Enviado às 21h55
Levando a discussão para um lado "menos acadêmico" e pensando no vídeo e o "puxão à realidade" que ele nos dá, gostaríamos de colocar o questionamento sobre:
o homem amaria, nesse caso, as máquinas ou ama o que elas são capazes de proporcionar?
Um exemplo é o celular. Ouvimos - e até falamos - diariamente: "sem celular não dá pra viver". Foi estabelecida uma relação de dependência - que nos parece mais forte do que o amor, muitas vezes, e então fica difícil até imaginar quando os dois [amor e dependência] caminham lado a lado.
O vídeo mostra uma série de situações em que importa muito mais "compartilhar" com o outro do que viver a situação. Ao passo que, nesse contexto, as situações, vivências, pessoas, ainda que sejam cada vez mais expostas, vão ficando cada vez mais invisíveis e, ao nosso entendimento, o tal potencial afetivo não é transferido às máquinas, mas sim retirado completamente em determinados casos.
Monise e Willian,
ExcluirNo comentário de vocês não ficou muito claro o diálogo com a literatura da disciplina, então, por favor, explicite-o. Além disso, vocês citaram sobre a tecnologia, sejam máquinas ou celulares. De acordo com o que foi discutido em aula e na bibliografia, pensando nas tecnologias ou mesmo num âmbito geral, esclareça como a sociedade de consumo dos seres humanos é representada no vídeo.
Att,
Moderador
Carmem Lúcia Bellini Jocas
ExcluirJoyane Ferreira Silva
Nós achamos que há um tipo de paradoxo em relação a esse afastamento que vocês trouxeram quando articularam o não se importar na vida real dos personagens com a ideia da "destruição do eu e a negação do outro" de Francisco Teixeira, onde hpa e não há afastamento. Ao mesmo tempo que os personagens vivem suas vidas de maneira extremamente individualista, ao mesmo tampo parece que há uma certa empatia entre eles, mas que ela se atém somente ao plano virtual da vida. Isso pode ser ilustrado quando há cenas de violência (tal como a agressão dos policiais e o suicídio) os personagens parecem tristes enquanto filmam em seus celulares, mas não reagem para evitar os ocorridos na vida real. Não é como se não tivessem mais reações, mas sim como se estivessem presas em outro plano.
Isso se assemelha muito ao que discutimos em sala de aula quando falamos sobre o fato de que as pessoas militam muito nas redes sociais, colocam filtros temáticos representando causas nas redes sociais, há uma mobilização grande por tais causas, mas elas não possuem força nas reuniões do dia-a-dia porque tem uma força maior que mina essa mobilização toda.
Também lembramos da discussão da construção de uma democracia moderna numa sociedade que cada vez mais é indivualista e que dificulta a construção de uma experiência democrática sólida, o que explica elementos fascistizantes que aparecem que muita força atualmente, tais como Bolsonaro e MBL - que trazem ideais que inclusive remetem à ditadura. E achamos que a construção de uma democracia de fato vai muito além de superar a cultura da individualidade, mas sim superar esse paradoxo de "mobilização desmobilizada".
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirAo Moderador:
ExcluirMonise Martins 21044312
Willian Habermann 21084012
Enviado às 21h40
Nosso comentário foi baseado em discussões durante as aulas, reflexões realizadas nestes momentos e provavelmente por essa razão não tenha ficado explícita a relação com a literatura.
A sociedade de consumo é retratada em todo o vídeo, não somente no sentido de produtos, mas também de ideias. Através do estabelecimento de padrões, que vai, desde a vestimenta das personagens, o modelo de celular usado, até um referencial de beleza pré-estabelecido. Esses padrões levam as personagens à necessidade de “mostrar”, à possibilidade de escolher (01:08) e ainda assim optar pelo que está dentro dos “conformes” e, como exemplifica o segundo 0:51, o aprisionamento das personagens dentro de seus próprios celulares que, para nós, mostra um aprisionamento de ideias, um aprisionamento dentro desses justos padrões impostos por todo esse contexto.
Carmem Lúcia Bellini Jocas
ExcluirJoyane Ferreira Silva
(repostamos o comentário às 21h56, pois corrigimos alguns erros de digitação)
Nós achamos que há um tipo de paradoxo em relação a esse afastamento que vocês trouxeram quando articularam o não se importar na vida real dos personagens com a ideia da "destruição do eu e a negação do outro" de Francisco Teixeira, onde há e não há afastamento. Ao mesmo tempo que os personagens vivem suas vidas de maneira extremamente individualista, parece que há uma certa empatia entre eles, mas que ela se atém somente ao plano virtual da vida. Isso pode ser ilustrado quando há cenas de violência (tal como a agressão dos policiais e o suicídio) e os personagens parecem tristes enquanto filmam em seus celulares, mas não reagem para evitar os ocorridos na vida real. Não é como se não tivessem mais reações, mas sim como se estivessem presas em outro plano.
Isso se assemelha muito ao que discutimos em sala de aula quando falamos sobre o fato de que as pessoas militam muito nas redes sociais, colocam filtros temáticos representando causas, há uma mobilização grande por tais causas, mas elas não possuem força nas reuniões do dia-a-dia porque tem uma força maior que mina essa mobilização toda.
Também lembramos da discussão da construção de uma democracia moderna numa sociedade que cada vez mais é individualista e que dificulta a construção de uma experiência democrática sólida, o que explica elementos fascistizantes que aparecem que muita força atualmente, tais como Bolsonaro e MBL - que trazem ideais que inclusive remetem à ditadura. E achamos que a construção de uma democracia de fato vai muito além de superar a cultura da individualidade, mas sim superar esse paradoxo de "mobilização desmobilizada".
Ocorre um avanço tecnológico que chega ao ponto de monopolizar as interações sociais em seu meio. E mais, quando há certo tipo de diferenciação entre o ente excluído e o que se encontra dentro do espaço este acaba por não se integrar. Desta forma, tal como defende Teixeira, ocorre uma regressão histórica, já que os entes que se encontram presos ao meio digital formam uma espécie de massa anônima que é agressiva à indivíduos externos.
ExcluirRaphael Antonio Dante Candio Santos - RA: 11201723094
ExcluirPamela Lacorte da Silva - RA: 21026316
Esse contexto de exclusão que é causado por esse isolamento de uma parcela da sociedade no meio digital também pode se tornar muito perigoso por além de trazer tais aspectos históricos, também pode ter outras vertentes de dominação mais incisivas, é a escravidão sem grades. Ainda com pouca ação coercitiva pode-se ter uma formação de consenso muito mais forte a ponto de se excluir com muito mais voracidade e de modo ainda não experimentado, dificultando muito uma possível reversão do quadro, retarda muito a síntese do que está acontecendo por uma boa parte da população.
Postamos 20 horas, o fuso horário da conta está errado
ResponderExcluirFique tranquilo, avisarei sobre isso para a Prof. Ana.
ExcluirPedro Saraiva e Vanessa Carolina,
ResponderExcluirCom relação à primeira parte ressaltada por vocês, sobre “A destruição do eu e a negação do outro”, de Francisco Carlos Teixeira da Silva, relacione essa questão que vocês levantaram sobre a incapacidade de se importar com o outro com o tema do suicídio exposto no vídeo. Explique sucintamente esse ponto exemplificando com cenas do curta-metragem.
Att,
Moderador
Dupla Vanessa e Pedro
ExcluirA cena do suicídio da garota, que não estaria em conformidade com a conjuntura da sociedade retratada na animação, exprime a frieza e o distanciamento que podem ocorrer quando muitos indivíduos começam a se sentir parte de um coletivo anônimo, tendendo a ignorar ou perseguir àqueles que lhes parece diferente, a falta de comoção ou de qualquer reação emotiva diante do suicídio mostra isso, a cena em que um grupo espanca outra pessoa enquanto várias outras apenas assistem, sem ao menos questionar tal ação e também a cena em que uma mulher sofre assédio e ninguém tenta impedir o agressor, demonstram tal postura de não se importar mais com o outro.
Raphael Antonio Dante Candio Santos - RA: 11201723094
ExcluirPamela Lacorte da Silva - RA: 21026316
Eu vejo bastante que isso também se mostra em um empobrecimento do eu enquanto constituição física também, tudo é virtualizado a ponto de não se distinguir tão claramente o que é real e palpável, acredito ser um ponto que agrava o distanciamento e a negação do outro.
Carmem Lúcia Bellini Jocas
ResponderExcluirJoyane Ferreira Silva
Esse vídeo escolhido é o clipe da música "Are You Lost In The World Like Me?" do Moby que em si já traz a crítica de que há uma falha no sistema (na forma de governo) que fez com que as pessoas perdessem seu papel na "sociedade da vida real", parecem agir no piloto automático e só vivem de fato na "sociedade virtual".
Quase o clipe todo é em preto e branco e os personagens são apáticos; as cores só aparecem para ilustrar onde há momentos de sentimentos: nos ícones de reações online (0:25), na tela do celular (0:45), na TV (1:40) e no final do clipe (2:15), na paisagem onde as pessoas em preto e branco caminham em direção ao precípicio - este que por sua vez parece fazer anologia a uma queda inevitável daqueles que não reagem contra à falha do sistema.
Podemos associar o comportamento de viver de fato para o celular com o conceito de ditadura moderna que Norberto Bobbio traz em sua obra "Estado, Governo, Sociedade - Para uma teoria geral da política" (p. 161 - 163), onde o o conceito de ditadura deixa de ser associado ao conceito de poder monocrático e passar a também ser associado a uma classe dominante. No caso, como vemos no vídeo, podemos notar uma certa ditadura da tecnologia, onde todos parecem obedecer aos seus smartphones, gerando uma maior aproximação virtual da sociedadade; e em contrapartida um afastamento na vida real.
As tecnologias parecem ampliar a capacidade de mobilização dos indíviduos, como vemos na cena em que as pessoas gravam todas juntas a agressão de um personagem (0:12) e um suicídio de outro (1:46); mas ao mesmo tempo não utilizam-se desta mobilização para evitar que essas atrocidades aconteçam de fato.
O vídeo demonstra como os reflexos bons do acesso ao smartphone ficam presos na esfera virtual e os reflexos ruins ecoam para a vida real. Além dos exemplos já mencionados anteriormente, há também um personagem que veste uma camiseta com a bandeira dos confederados e claramente agride a uma personagem mulher (0:30), indicando a perpetuação de um discurso de ódio e como as pessoas ignoram o mesmo.
Atualmente podemos ver como isto é algo que acontece na nossa sociedade, onde o acesso à internet é facilitado por nossos smartphones, facilitando o acesso à informação, ideias, debates; mas também facilitando a criação de canais de difusão de ideiais fascistas; ideais estes que tem uma grande facilidade de aderência aos indivíduos, principalmente aqueles que não tem uma concepção mais profunda da democracia real, como por exemplo a influencia e o sucesso que figuras como Bolsonaro e MBL representam nas redes.
Tivemos o mesmo problema do fuso ><
ExcluirPostamos a resposta às 20h40
Carmem e Joyane,
ExcluirNo último trecho do comentário, vocês citam sobre a permeabilidade de certos grupos a discursos fascistas, sobretudo quando não há uma ideia profunda de democracia. Discuta sobre o conceito de democracia e, nesse ponto, explicite a polarização da vida privada e da esfera pública - a qual vem sendo atrofiada, afetando tais questões democráticas.
Att,
Moderador
Victor Alex Fernandes 11025912
ExcluirDaniel Ribas Cardoso 21021313
Estamos respondendo esta questão, pois nós demos a quarta resposta e este é o terceiro comentário sobre o vídeo.
A dupla acima destaca de forma muito interessante um fator que também percebemos no vídeo, o da ditadura da tecnologia e como ela pode contribuir para a disseminação de diversos tipos de ideais, incluindo ideias fascistas.
Como foi dito na resposta durante o vídeo vemos diversas demonstrações de atrocidades que são vistas com naturalidade pela população geral, isolada dentro de um sistema e desconectada dos demais, comportamento este que podemos observar nas sociedades de regimes fascistas. Da mesma forma que a tecnologia o fascismo usa dessa “lavagem cerebral”, dessa propaganda para naturalizar e até mesmo incentivar comportamentos agressivos como nos filmes nazistas que incentivavam o antissemitismo, a eutanásia e outras formas de pensamento que rejeitavam aquilo que estava fora dos ideais de raça branca pura.
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirCarmem Lúcia Bellini Jocas
ExcluirJoyane Ferreira Silva
Postado às 21h52
Resposta ao moderador
À medida que um comportamento individualista cresce, a importância da vida pública cai; na sociedade contemporânea parece que enquanto o indivíduo está numa posição confortável na democracia representativa, ou seja, enquanto ele é representado pela mesma, não há uma força de mobilização por aquele que não esteja. Em palavras claras, enquanto um cenário se apresentar bom para um indivíduo, mesmo que não esteja bom para uma uma parcela da sociedade, parece que o indivíduo não pertence a este problema, mesmo que ele possa ter empatia por quem vive o lado negativo do cenário. Por isso que esse individualismo dificulta a construção de uma democracia madura, porque ela enfraquece a mobilização da população enquanto sujeito democrático, como coloca Norberto Bobbio em "Estado, Governo, Sociedade - Para uma teoria geral da política" (p. 150 - 151).
Essa "construção da democracia" que trouxemos em nossa resposta está mais relacionada ao exercício da mesma não só enquanto dever, mas também na luta por direitos - luta essa que provoca estranheza na sociedade individualista, pois gera uma dificuldade de compreender mobilizações democráticas. Um exemplo disso é a luta pela moradia: quem faz parte da parcela da sociedade que sempre teve sua propriedade tende a ficar ao lado do princípio da propriedade privada inviolável, entende a mobilização e a luta pela moradia como um ato violento, e não como uma mobilização por um direito.
Outro ponto importante que devemos ressaltar é como a construção dessa democracia demanda tempo para ser construída, literalmente. É necessário dedicar muitas horas de sua rotina para fazer com que essa construção aconteça, o que conflita com os ideais neoliberais que permeiam a sociedade e nos impõe de cuidar de si - da sua família, da sua carreira, da sua saúde, da sua educação... - tudo para conseguir garantir a sobrevivência do indivíduo. Isso conflita com o "dedicar-se para a democracia".
Dupla Matheus e Jabson
ResponderExcluirEm resposta ao comentário a dupla Pedro e Vanessa e ao Moderador,
Uma coisa que a dupla observou que referente a questão do suicídio nota-se a reação do povo ao redor durante o acontecimento, aparece a questão de como a violência encontra-se banalizada, na medida em que eles demonstram reação e apenas assistem a tudo sem nenhum sinal de empatia para com a pessoa que acabou de se suicidar, uma cena que demonstra justamente este ponto é a cena em que a menina aparece em um vídeo na internet em que as pessoas apenas tiram sarro dela sem nem considerar o que aquilo irá causar nela, sendo que o único que demonstra qualquer reação com isso é o garoto que aparece durante todo o vídeo sendo também o único com consciência da alienação dos indivíduos.
Dentro disso ainda, utilizando o texto de Francisco Carlos Teixeira podemos ver como todo o vídeo aparece toda a concepção da criação de uma unidade da massa que acaba por excluir qualquer um que fuja desse padrão, como, por exemplo, o caso já apresentado da menina que é considerada "estranha" por suas ações e acaba sendo excluída do grupo e da unidade.
Matheus e Jabson,
ExcluirVocês comentaram sobre a banalização da violência e sobre a exclusão de pessoas que fogem do padrão imposto pela sociedade. Discorra sobre como vocês interpretam a solidão e as atitudes do protagonista do curta-metragem e como a “sociedade do espetáculo” está inserida no nosso contexto atual que são abordadas no vídeo.
Att,
Moderador
Entendemos que o protagonista representa parte da sociedade ainda não alienada, dispersa e confusa com a atual organização social e tecnológica que abarca de forma mais eminente as atuais gerações, que "nascem" neste mundo altamente tecnológico e digitalizado. Apesar de ser uma criança, vai em contraponto a esta geração pois hoje a inserção delas no mundo digital e tecnológico é fato normal e quase necessário a esta sociedade.
ExcluirEm relação a sociedade do espetáculo presente atualmente, todo acontecimento privado é exposto e vivenciado, compartilhado por todos. A privacidade é extinguida e todo acontecimento é mérito para uma exposição, como a garota que tira uma selfie em frente ao prédio em chamas. Vivemos hoje uma sociedade do espetáculo quando observamos as mesmas ações e atitudes em redes sociais, na TV, e nos diversos meios de comunicação. As notícias não mais tocam ou incomodam como antes; uma após outra é mostrada e rapidamente esquece-se da anterior. Ao passo que o caminho está sendo trilhado para um desfecho semelhante, senão igual, ao do curta metragem.
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirDupla Vanessa e Pedro.
ExcluirOcorre um avanço tecnológico que chega ao ponto de monopolizar as interações sociais em seu meio. E mais, quando há certo tipo de diferenciação entre o ente excluído e o que se encontra dentro do espaço este acaba por não se integrar. Desta forma, tal como defende Teixeira, ocorre uma regressão histórica, já que os entes que se encontram presos ao meio digital formam uma espécie de massa anônima que é agressiva à indivíduos externos. Além disso, não devemos nos ater a problemática como algo restrito ao âmbito individual, mas também causada e mantida pelo plano social e político que ajudam e muito na normalização e na banalização de atos e visões de mundo.
Em resposta a Dupla Matheus e Jabson , a falta de empatia do grupo diante do suicídio da garota excluída seria "justificada" pelo estranhamento do indivíduo em relação a sua ideia de si mesmo e dos outros como uma unidade, um ser semelhante. Além disso, não devemos nos ater a problemática como algo restrito ao âmbito individual, mas também causada e mantida pelo plano social e político que ajudam e muito na normalização e na banalização de atos e visões de mundo. Ademais, percebemos que não discordamos sobre a ideia principal, mas que vocês nos trouxeram um enfoque mais detalhado da reação do grupo ao suicídio da garota.
ExcluirVictor Alex Fernandes 11025912
ResponderExcluirDaniel Ribas Cardoso 21021313
Usada extensamente como fonte de propaganda de largo alcance, a tecnologia passa a ser um poderoso instrumento de controle ideológico. No vídeo acima, é retratada uma sociedade composta por indivíduos distantes da vida pública, voltados apenas para a vida privada, altamente influenciada pelos adventos tecnológicos, num verdadeiro processo de alienação em massa.
Segundo Francisco Carlos Teixeira da Silva, em “Os fascismos”, depreende-se que o caráter fortemente propagandista do regime fascista é o ponto chave para a criação, no imaginário popular, de uma identidade nacional, compartilhada por todos os “homens de bem”, em contraposição ao, também criado, inimigo comum. Nesse sentido, vemos no vídeo acima o que poderíamos considerar como uma sociedade especialmente suscetível a um regime autoritário, com pessoas afastadas do bem comum e, ao mesmo tempo em que se voltam apenas à própria individualidade, parece buscar irracionalmente uma sensação de pertencimento.
Assim, podemos destacar algumas características que vão ao encontro dessa percepção, demonstrando uma grande insensibilidade ao “outro”. Isso é notável em várias cenas, como: a do chute no cachorrinho – indiferença a outros seres vivos; a da propagação massiva do vídeo da garota – total falta de empatia; a cena do suicídio – talvez a mais emblemática no tocante à insensibilidade das pessoas com a banalização da violência/morte.
Além disso, a alienação percebida pode favorecer o surgimento de regimes fascistas na medida em que, ainda segundo Francisco, o esquecimento dos momentos históricos do fascismo é ponto crucial para o seu “ressurgimento” (como o “furacão que varre a historiografia sobre o fascismo a partir de 1991”).
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirVictor e Daniel,
ExcluirVocês citam sobre a alienação e a suscetibilidade da sociedade a regimes autoritários, o que faz com que questões da vida privada se tornem mais importantes que da esfera pública. Portanto, explicite, com mais cenas do curta-metragem, onde podemos pontuar tais questões e o porquê.
Att,
Moderador
Heloisa Coli - RA 21008114
ExcluirConforme citado pela dupla, a identidade nacional no regime nazista têm como ponto chave a propaganda política, que, por sua vez, estava presente em todo cotidiano popular. A tecnologia como exposta na animação também está presente na vida de todos os indivíduos: desde mero passatempo até em relações afetivas, ocorrendo de forma tão naturalizada que parece até mesmo indissociável para aqueles que estão inseridos nesse contexto.
É dessa forma que o mal se banaliza e os comportamentos se naturalizam: as ações ocorridas no vídeo citadas pela dupla, que revelam insensibilidade, falta de empatia e indiferença, são parte do contexto social e não chocam mais devido a superficialidade e a fragilidade das relações e a lacuna de reflexão individual, que impulsiona a alienação e aprofunda o distanciamento entre os indivíduos.
Victor Alex Fernandes 11025912
ExcluirDaniel Ribas Cardoso 21021313
00:03 – Vemos uma criança sozinha na calçada sem que seja percebida ou notada, enquanto as pessoas passam ao seu redor atentas apenas ao próprio smartphone, o que evidencia a negligência a questões importantes da vida comum, como o abandono infantil.
00:14 – Nesta cena, policiais espancam violentamente uma pessoa e isso não gera qualquer tipo de reação ou mesmo aparente comoção dos demais, que limitam-se, tão somente, a filmar a cena, enquanto a vítima é livremente agredida. Novamente, a esfera particular (a curiosidade e a gravação por meio dos smartphones) parece sobrepor-se a uma questão de ordem pública (servidores espancando um cidadão).
00:18 – Aqui, uma garota tira uma selfie em um momento de calamidade, olhando para si mesma e ignorando o mundo. A personagem parece satisfeita com o “momento de sorte” que teve para uma boa foto, demonstrando que ela está muito mais preocupada com questões extremamente particulares (uma boa foto) do que com o prédio em chamas e as possíveis vítimas.
00:40 – Novamente, vemos uma cena de extrema negligência, onde uma mulher sofre flagrante violência de gênero no transporte público e ninguém dá a mínima atenção (exceto o garoto, que parece simbolizar o próprio espectador do vídeo), aparentando a banalização da violência e a pouca importância relegada à esfera pública, esta reduzida apenas ao que ela pode refletir na esfera particular, aqui representada como o próprio smartphone.
Heloisa Coli - RA 21008114
ResponderExcluirO vídeo “This is our world” é um retrato do cotidiano do século XXI. Permeando a mensagem passada da relação entre o homem e a tecnologia, destaca-se a indiferença ao outro, a insensibilidade, a superficialidade das relações e o “efeito manada”. Produzido por Steve Cutts, o vídeo parece ter o objetivo de incitar a reflexão sobre a modernidade e seus efeitos.
Ainda que produzido como uma reflexão sobre a modernidade, a animação revela intensas relações com movimentos fascistas e os estudos de Hannah Arendt e Francisco Teixeira. Nesse sentido, é importante retomar a argumentação de Teixeira contra a ideia de “fascismo histórico”, que erroneamente aponta a ideia de que os fascismos foram resultados pelo momento entreguerras passado pela Europa nos séculos 20 a 40. A concepção do fascismo
enquanto um fenômeno é importante para demonstrar que não é algo findo, que pode ser desperto novamente a qualquer momento, como ocorreu no início dos anos 90 com a explosão de movimentos neonazistas.
Teixeira aponta, em seu livro “Os fascismos”, sobre a importância da frieza de um indivíduo perante o outro, uma vez que os horrores cometidos em regimes fascistas só foi possível através da indiferença. Algumas cenas da animação de Cutts demonstram esse comportamento: quando diversas pessoas andam sem notar uma criança na rua ou quando a multidão une-se para debochar de uma pessoa exposta em um vídeo.
Importante destacar que o autor cita o desaparecimento das diversidades através de instituições homogeneizadoras, o que possibilita uma conexão com a animação, em que a mídia e as redes sociais agem como instituições que unificam o comportamento das pessoas, tornando a sociedade homogênea e constituída por pessoas que agem e se comportam sem qualquer reflexão.
Essa ideia nos leva à “banalidade do mal”, conceito criado por Hannah Arendt para entender a estruturação do regime nazista através de burocratas como Eichmann, que conduziu centenas de pessoas à morte sem que pensasse sobre o bem ou o mal que causava. Esse comportamento é delineado em diversas cenas do vídeo, especialmente quando as pessoas seguem inertes enquanto uma mulher é abusada no transporte público.
Arendt ainda aponta que a massificação da sociedade foi essencial no totalitarismo e aponta que o hábito do não-pensar pode ser visto como uma forma de ação para o exercício do mal. Nesse sentido, assim como na animação de Steve Cutts e nos fascismos do início do século XX, a massificação de indivíduos sem reflexão e sem questionamentos pode levar sociedades inteiras ao abismo.
Heloisa,
ExcluirComente sobre um ponto que foi pouco explorado até aqui pelos colegas: a corrida do coelho de ouro e a depredação da natureza presente no regime capitalista. Qual é a relação com a temática proposta na disciplina?
Att,
Moderador
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirMariana Chioli Boer e Wendy Arevolo de Azevedo
ExcluirConforme analizado por Heloisa, concordamos com a concepção de fascismo como um fenômeno, como aponta Nolte, 1986, no qual o fascismos é modelo a-histórico, que não precisa estar vinculado a uma realidade histórica, desta forma ele é fenomenológico, como apontado por Teixeira, no qual diversos fatos dão coerência a um fenômeno. Assim, Teixeira estuda um método comparativo, invocando paralelamente experiências fascista, conConforme analizado por Heloisa, concordamos com a concepção de fascismo como um fenômeno, como aponta Nolte, 1986, no qual o fascismos é modelo a-histórico, que não precisa estar vinculado a uma realidade histórica, desta forma ele é fenomenológico, como apontado por Teixeira, no qual diversos fatos dão coerência a um fenômeno. Assim, Teixeira estuda um método comparativo, invocando paralelamente experiências fascista, concluindo que o fascimo não está ligado aos fatos históricos pois cada momento terá o seu, podendo retornar a qualquer momento. cluindo que o fascimo não está ligado aos fatos históricos pois cada momento terá o seu, podendo retornar a qualquer momento.
Moderador Anderson,
ExcluirA disciplina traz a proposta da reflexão sobre as formas de governo, dentre elas a democracia e o fascismo. O capitalismo, por sua vez, está presente em ambas as formas citadas e pode ser visto como uma forma de produção que exige a falta de reflexão sobre as consequências das atitudes coletivas, uma vez que a destruição da natureza é uma violência tanto ao meio ambiente quanto às gerações futuras, supostamente justificadas pela busca incessante pelo desenvolvimento tecnológico e científico. O desenvolvimento tecnológico é constantemente demandado e rapidamente tornado obsoleto, como visto na montanha de aparelhos sobre a qual o coelho de ouro e as pessoas estão. Assim como em diversos trechos da animação e como na disciplina de Regimes e Formas de Governo, é feito um convite a reflexão, que, conforme sugerido por Hannah Arendt, pode afastar os indivíduos das ações mecanizadas que se voltam para o mal.
Mariana Chioli Boer RA:21066514
ResponderExcluirWendy Arevolo de Azevedo RA:21069314
Horário: 21h11
O vídeo “This is Our World”de Steve Cutt retrata a depedência da tecnologia e a consequente falta de interação humana, trazendo duras críticas à sociedade moderna, como alienação, estranhamento perantes situações cotidianas, solidão, entre outros temas. Steve traz em seu vídeo estes temas a partir da utilização constante de smatphones que se tornaram uma barreira entre os indivíduos.
Assim como mencionado no comentário de Pedro Saraiva e Vanessa Carolina, no texto “Os Fascismos” (2002) de Francisco Teixeira, podemos observar sua reflexão a respeito das máquinas e como a tecnologia permite um sentimento de amor proveniente do homem, que é, no entanto, para com as próprias máquinas, fazendo com que este homem tecnológico substitua o próximo, com quem não possui identidade, por estas. Desse modo, em resposta ao comentário de Matheus e Jabson, esta incapacidade de amar pessoas constrói uma apatia perante diversas situações, uma condição psicológica construída inclusive diante do suídio do outro, conforme retratado no vídeo. Assim, o homem está pronto para outras opções que o tirem desta situação de abnegação do próprio eu através de sua submissão a um líder que será protagonista de toda a sociedade. Surge, então, uma brecha para a entrada do fascismo que, segundo o texto, apresenta-se como fator de coesão nacional e é capaz de reerguer uma nação restaurando sua identidade nacional, ao incorporar os corações e mentes dos indivíduos, tendo assim um caráter metapolítico. Dessa forma, a modernidade constata a emergência de diversos grupos/indivíduos/partidos fascistas dada a capacidade do fascismo, segundo Teixeira, de reunir as conjunturas sociais que transmitem mal-estar juntamente com estranheza psicológica.
Mariana e Wendy,
ExcluirNo comentário, vocês discutiram sobre a ascensão do fascismo na sociedade. Esclareça a importância dos discursos de ódio para o fortalecimento do fascismo e em que cenas do curta-metragem podemos verificá-lo com maior clareza.
Att,
Moderador
Monise Martins 21044312
ExcluirWillian Habermann 21084012
Enviado às 21h59
Acreditamos que a interação humana permanece, mas de uma intensidade e forma diferentes. É justamente essa interação cada vez menos sólida demonstrada no vídeo que dá margem a uma sociedade mais alienada, com uma menor consciência de coletividade e mais predisposta a ideias extremistas.
Logo no início do vídeo, na cena em que as pessoas andam em fila, segurando seus respectivos celulares e caindo diretamente em um bueiro enquanto há um homem sentado com um café na mão e, claro, um celular na outra, não realiza um movimento sequer para alterar a situação. Esse é só um dos exemplos dessa falta de coletividade expostas no vídeo. No entanto, como no 01:27m, quando a ação é em prol do entretenimento a atenção é redobrada, ainda que seja às custas do sofrimento/situação desconfortável de outra pessoa - sem causar o choque ou sensibilização ao real acontecimento.
As personagens não demonstram realizar o exercício do "pensar" na consequência do ato em si, ainda que envolva completamente "o outro" e outra vez pode ser ela mesma a protagonista da situação.
Mariana Chioli Boer e Wendy Arevolo de Azevedo
ExcluirResposta ao moderador:
Atualmente a sociedade vem, cada vez mais, perdendo o senso do público e privado, o que leva à uma confusão entre discurso de ódio e liberdade de expressão. Isso se torna ainda mais recorrente nas redes sociais, nas quais os indivídios podem permanecer no anonimato o que incita ainda mais comentários intolerantes, como mostrado no vídeo em que é feito bullying com a menina (1:31) que depois se suicida (1:57) e também no momento em que retrata comentários ofensivos sendo feitos nas redes sociais (0:28). Dessa forma, vê-se que os dicursos de ódio tem uma grande relação com o fortalecimento do fascismo, principalmente porque se encontram em sua maioria em discussões políticas. Hoje o fascismo se encontra por trás de uma ideologia elitista, antissocial e antidemocrática, dessa forma, ganha o apoio das massas ao reverberar discursos de ódio. Dessa forma, as ideias fascistas se propagam em mentes conservadoras e reacionárias, limitando o sendo de alteridade e racionalidade, direcionando a extremismos, como retratado no vídeo em que a polícia espanca um cidadão (0:14).
Monise Martins 21044312
ResponderExcluirWillian Habermann 21084012
Enviado às 21h20
A sociedade passa por transformações consideradas históricas. Ela já foi considerada, segundo Foucault, como uma “sociedade disciplinar”, baseada em termos como punição e vigia, pautada no poder que as instituições exercem sob às sociedades e onde o cerne é justamente disciplinar para que haja algum tipo de organização.
Não que a “sociedade de controle” tenha deixado de existir, mas, como já dissemos, mudanças ocorrem e temos outro termo: a “sociedade do controle”, de Deleuze, que não exclui o termo anterior, mas sim o engloba e o expande a um outro nível quanto à sociedade. Nesse “modelo de sociedade” não é mais a obediência, apenas, que norteia as ações, mas sim o controle passa a atuar em todas as esferas e não mais apenas nas instituições consideradas “tradicionais” como família, instituições vinculadas ao Estado, etc.
Atualmente, vivemos conectados seja por relações interpessoais, seja através de diversos dispositivos, formando assim uma vida em rede (vale lembrar Manuel Castells e a “sociedade em rede”). E é essa vida em rede que nos conecta a tudo e que fomenta, ainda mais, o “viver em uma sociedade capitalista”, onde, com a disseminação, há uma produção em massa, um consumo em massa, um compartilhamento em massa e não mais é falado apenas e tão somente de produtos como se relacionava o termo antigamente, mas sim de ideias, imagens, conceitos e relações estabelecidas que são tratadas como mercadorias e, portanto, vendidas como um produto.
O vídeo nos remete à uma realidade que às vezes parece distante, mas basta repararmos no dia a dia, em situações que consideramos tão simples que por vezes nem notamos, para termos a certeza de que estamos sendo retratados nele.
Temos um mundo organizado de forma sistemática e que nos dá a falsa sensação de liberdade, de livre escolha, quando, na verdade, estamos aprisionados, cada vez mais, em uma sociedade em que é controlada pelos grandes poderes (como instituições financeiras, governos, mídia e conjuntamente a isso, a internet) e que nos impõe padrões que seguimos até mesmo involuntariamente, mas vale pontuar: na maioria das vezes com sensação de liberdade.
Essa sensação de liberdade é o que dá força para o que podemos chamar de “ditadura da mídia” tenha cada vez mais força sobre a nossa vida, o nosso modo de pensar e modo de agir. Nesse sentido, o princípio da soberania popular explicitada por Bobbio permanece, a ideia de que o poder emana do povo ainda continua, porém a realidade vivenciada é outra e a soberania popular, na prática, parece estar moldada para atender aos interesses desses grandes poderes e não mais do povo.
O vídeo em questão deixa claro que a nossa a sensibilidade está cada vez menos aflorada. Nos espantamos em um momento e no outro já vem outra notícia, outra foto para postar, outro filtro em foto para aplicar, outro “meme” pra dar risada, outra série para assistir. Enquanto isso, lá na política real, existem decisões sendo tomadas.
Retificando 2º parágrafo:
ExcluirNão que a “SOCIEDADE DISCIPLINAR” tenha deixado de existir, mas, como já dissemos [...]
Aline de Oliveira RA 21062713
ResponderExcluirEnviado às 21h35
A frase "Esse sistema está falhando" é recorrente no vídeo analisado, e nos remete à análise que fez Teixeira, em 'Os Fascismos', no sentido de: a ideia de controle via instituições pelo Estado é de trazer força à uma nação, uma unidade que na verdade não acontece. Há uma alienação em relação ao outro, não havendo espaço para o outro, e muito menos para uma nova educação de um novo homem. Fica clara a negação de um mundo à uma forma diferente de seu tipo de padrão estabelecido, ao ignorarem as ações do menino enquanto este provocava a sociedade tentando chamar atenção.
Podemos comparar o povo alienado nas tecnologias com os algozes descritos pelo autor, caracterizados pela frieza, o distanciamento do outro (pessoa) em favor de um coletivo anônimo. A frieza que levou à prática do genocídio como algo comum pode ser identificada quando a população não se choca ao ver um suicídio ser cometido, e até filmam o acontecimento. Os algozes estranham o outro e estranham a si mesmo, impossibilitando o amor, como na cena em que a menina está com a autoestima baixa, está infeliz, mas tira fotos sorrindo como se estivesse tudo bem, por não se amar é incapaz de reconhecer no outro o amor.
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirAline,
ExcluirVou novamente me atentar a pontos ainda pouco discutidos pelos colegas. Comente sobre um ponto que foi pouco explorado: a corrida do coelho de ouro e a depredação da natureza presente no regime capitalista. Qual é a relação com a temática proposta na disciplina?
Att,
Moderador
O capitalismo instalado no mundo gera uma forma de se governar pautada na competição e na produção para suprir demanda de consumo. A corrida para garantir a melhor colocação nos rankings internacionais, garantir o ouro, leva à medidas que deixam em segundo plano a sociedade e natureza, cada vez mais depredada para garantia de consumo de uma sociedade educada para consumir cada vez mais. Vide a importância da exploração do petróleo que não é de hoje, com consequências irreversíveis para a sociedade e para o meio ambiente mas que está na mídia como pauta principal de demanda por energia para garantia de acompanhamento de consumo nos próximos anos.
ExcluirAline,
ExcluirEsta indiferença que você citou e que é apresentada na animação, ao meu ver,é fruto de um conceito citado no texto de Teixeira que é o individualismo liberal que gera a crise de identidade. Logo essa crise de identidade é terreno fértil para que as pessoas assimilem os novos discursos românticos dominantes veiculados em nosso milênio: o neoliberalismo, a globalização que colonizam as subjetividades em prol de um "bem maior", um fim histórico irreversível.
Em resposta à Monise Martins 21044312 e Willian Habermann 21084012:
ResponderExcluirDe fato hoje vivemos uma falsa liberdade com um déficit em relações, tornando uma modernidade líquida a ponto de não percebermos, como bem destaca Teixeira, as consequências de uma educação autoritária pautada na transferência do amor e das relações pessoais para a tecnologia. A sensação de liberdade nos faz estranhar estar vivendo como se faltasse sempre algo, você estranha o outro pois já não há mais contato e estranha a si mesmo porque não reconhece mais o outro. Há uma falsa sensação de soberania popular, que é validada por meio das redes sociais, e de fato, um processo jurídico hoje demora mais para resolver um caso do que um post nas redes sociais.
Aline de Oliveira 21062713
Monise Martins 21044312
ExcluirWillian Habermann 21084012
Aline, colocando em termos práticos, o que conversamos muito enquanto respondíamos às questões aqui foi:
Você vai à um show por gostar da música ou para filmar e mostrar ao mundo – e não só à sua família ou amigos – que “também” ou “só você” estava lá? Você viaja por, realmente, ter vontade de ir a determinado lugar ou porque “todo mundo contempla aquela torre enorme de ferro, então, também quero contemplar?” Você nem pensou direito sobre comprar um tênis novo, mas diversas propagandas já aparecem enquanto você pesquisa sobre Marx na internet...Você compartilhou uma notícia falsa, mas parecia tão verdadeira que você simplesmente “clicou”.
Da onde vem tudo isso? Por que tudo isso? A gente deveria pensar muito mais nisso.
Rafael Bortoni RA 21073716
ResponderExcluirAs atrocidades apresentadas na animação são reflexo de uma Democracia gerida por instituições as quais garantias individuais e a liberdade de mercado foram colocadas como grande ideal democrático acima das noções da emancipação social das relações de trabalho opressoras e das amarras do mercado. O dito "cidadão" é dotado de direitos civis mas ficam excluídos do poder, na medida em que devem aceitar imposições de uma lógica social e de mercado cuja as regra do jogo são contruídas por uma classe dominante detentora dos meios de produção.
O resultado deste tipo sociedade são a base social trabalhadora alienada do seu poder de articulação coletiva, rivalizando com seus pares , mera consumidora de produtos produzidos por essa mesma lógica e de uma indústria cultural que molda as culturas e as esvazia como sujeitos. Ironicamente é essa sociedade de supervalorização dos direitos individuais que vai dificultar o princípio de soberania popular.Bobbio argumenta em seu "Dicionário de Política" , especificamente no verbete "Democracia", que o modelo de Democracia representativa que temos hoje representa o deslocamento dos centros de poder dos orgãos tradicionais do Estado para a grande empresa e o controle que o cidadão exerce através dos canais tradicionais da Democracia política não é suficiente para impedir os abusos de poder cuja abolição é o escopo final da Democracia.
Rafael Bortoni,
ExcluirVocê cita sobre a base social trabalhadora alienada, uma vez que tal suscetibilidade à alienação faz com que questões da vida privada se tornem mais importantes que da esfera pública. Portanto, explicite, com mais cenas do curta-metragem, onde podemos pontuar tais questões e o porquê.
Att,
Moderador
Rafael, concordo com você que a base social trabalhadora, distante do poder numa sociedade capitalista, tende a alienação numa lógica de individualismo e que, mesmo a democracia, não dá conta deste fenômeno.
ExcluirAcrescentaria que parte desta alienação se deve a banalidade do mal discutida por Hanna Arendt e que acaba dando espaço para fenômenos antidemocráticos como os fascismos.
Anderson,
ExcluirÉ possível perceber essa suscetibilidade à alienação em cenas como:
1) As pessoas caindo em um buraco enquanto o trabalhador que foi o responsável por abrir a tampa deste buraco não os alertavam. As pessoas que caminhavam mal tinham a noção de sua própria condição de risco logo não poderiam também alertar as seguintes que também estavam focadas em seus smarthphones, o trabalhador que não corria risco e também teria um conhecimento maior do risco estava focado em seu smarthphone.Entendo que essa cena representa de forma sistemática a alienação.
2) A polícia abusando de sua força contra um cidadão enquanto outras potenciais vítimas desse abuso de poder assistiam e filmavam sem qualquer ação de impedimento.
3) Indiferença das pessoas em relação ao assédio do homem no transporte público
4) Desconhecimento do processo de produção de seus alimentos, enquanto fotografavam seus pratos decorados não percebiam o caminhão com diversos animais em más condições de tratos passando próximo a eles.
5) Indiferença ao suícidio da menina, entre outros.
Josi Freitas de Melo - 21017416
ResponderExcluirEnviado às 21:51
A animação se passa numa cidade onde as pessoas interagem por meio de aparelhos smartphone. Uma criança observa de baixo, as pessoas repetindo os mesmos comportamentos com os celulares, sem notar o mundo ao redor. As piores atrocidades passam despercebidas, pois aparentemente, cada um está mais interessado em satisfazer seus próprios desejos.
Plot point 1: Aos 31 seg. a criança vê um homem importunar uma mulher no metrô enquanto todos ao redor estão distraídos com seus celulares, então ele se vê batendo no homem para defendê-la, ganhando o afeto dela em troca e todos ao redor aplaudindo seu ato. Entretanto, logo percebe sua impotência, ao ver que a mulher foge rapidamente do assediador, sem ter outra saída.
O filme segue mostrando os personagens alienados aos aparelhos e a criança tenta, sem sucesso, chamar a atenção das pessoas. Uma mulher se permite dançar livremente, outras pessoas filmam, o vídeo viraliza e ela se torna motivo de chacota.
Plot point 2: A mulher, que virou alvo de piadas por conta do vídeo, deprimida, decide se jogar do alto de um prédio e o máximo que os passantes fazem é ficar filmando o momento da tragédia. Aos 1 minuto e 58 segundos ela se joga do edifício, ninguém tenta impedir, todos filmam a cena e seguem andando em seguida. A criança assiste aquilo abismada e inconsolável com fim trágico da suicida.
Por fim, todos parecem estar caminhando em direção a um abismo sem perceber. O fim dos outros personagens não parece ser diferente do da mulher que se suicidou.
O filme parece alertar para o nosso comportamento no mundo contemporâneo frente às tecnologias digitais e as redes sociais. Uma imagem mostra pessoas tristes, presas atrás de uma cela com o formato do celular, seríamos nós nos dias atuais?
Outra passagem mostra que o prazer, para os personagens, não está na comida – que aparentemente ninguém sabe de onde veio ou do que é feita – mas sim em tirar fotos das mesmas para que os outros vejam. A diversão e a interação social são mediadas por aplicativos e recursos virtuais.
Ao longo das cenas, vários anúncios mostram a frase “estes sistemas estão falhando”. Nas entrelinhas percebe-se que o tal “sistema que está falhando” nada tem a ver com a tecnologia, mas sim com o modo que as pessoas estão vivendo em nossa sociedade.
A animação descreve cenas que já se tornaram rotineiras na vida contemporânea, mas parecemos não compreender o significado real deste distanciamento da realidade em benefício de interações pobres e artificiais que parecem levar a um grande abismo sem volta.
A capacidade de alienação do ser humano frente ao sofrimento alheio não é um fenômeno recente. Estudando os fascismos percebemos que a banalidade do mal, discutida por Hanna Arendt, é algo que todas as sociedades estão sujeitas. No texto “Os Fascismos”, Francisco Teixeira (2002) discorre sobre o fato de os fenômenos fascistas não serem históricos, portanto eles podem retornar inclusive nos dias de hoje.
Todas as atrocidades observadas pela criança no filme não ganham atenção dos outros personagens, todos utilizam a tecnologia virtual para não precisarem notar o que está acontecendo ao seu redor. Muito semelhante ao que aconteceu com muitos alemães que trabalhavam para o regime nazista, alegando apenas cumprirem ordens. Ou durante o período de escravidão no Brasil, quando os brancos se eximiam do debate ético em torno do tratamento para com os negros escravizados.
O filme é predominantemente em preto e branco e só aparecem coloridas as interações virtuais dos personagens e o final, ao pôr do sol, quando todos aparecem caminhando para um abismo sem volta. São cenas opacas, como num dia nublado.
Embora a música seja lenta, as cenas transcorrem de forma rápida, com uma sequência seguida de outra, sem muitas pausas, dando a impressão de acontecimentos rotineiros, que não podem parar. Apenas algumas cenas que focam na criança denotam alguma pausa para reflexão. As tomadas se alternam ao mostrar o comportamento dos personagens em geral e a criança que é ponto focal da animação.
Josi,
ExcluirOutro ponto que foi pouco discutido pelos alunos até agora foi a polarização da vida privada e da esfera pública - a qual vem sendo atrofiada, afetando as questões democráticas. Faça uma conexão entre seus comentários e tal polarização.
Att,
Moderador
Anderson,
ExcluirNa minha leitura do filme, as cenas das pessoas alienadas aos aparelhos smartphones e às redes sociais reforça o aspecto da "não valorização do debate", mas apenas o impacto visual de imagens e vídeos, sem maiores aprofundamentos. Esfera pública e privada parecem uma só por meio das redes sociais que só mostram aquilo que interessa a cada indivíduo. Embora a esfera privada se torne publicizada nas redes sociais, esta não chega a um patamar público, no sentido de coletivo mesmo, com seus embates e conflitos que podem e devem ser amadurecidos e discutidos publicamente em prol do bem estar da sociedade como um todo.
Monise Martins 21044312
ExcluirWillian Habermann 21084012
Enviado às 22h25
Pautado na ideia de Teixeira (2002), de que os fenômenos fascistas não são históricos, acreditamos que a alienação vivida atualmente e, em grande parte, causada pelo uso excessivo da tecnologia virtual, fomenta o surgimento e/ou volta de ideias perigosas como já vividas anteriormente e como as que estamos vivenciando neste exato momento.
Para não irmos tão longe temos a emergência de Bolsonaro, o qual se apresenta em uns dos primeiros lugares nas pesquisas eleitorais,que possui referências extremistas, radicais, conservadoras e ganhou espaço entre a população se utilizando na descrença, falta de interesse, falta de consciência, falta de preocupação com o próximo, consigo mesmo, e alienação. Alienação essa que acomete, de diferentes formas, a todos e todas nós, mas que deixa claro a necessidade de refletirmos sobre estes assuntos.
ATENÇÃO: A rodada de comentários gerais está encerrada. Agora as duplas apenas devem apenas comentar/complementar a partir dos comentários de colegas e discutir as questões que pontuei até as 23h.
ResponderExcluirAtt,
Moderador
Raphael Antonio Dante Candio Santos - RA: 11201723094
ResponderExcluirPamela Lacorte da Silva - RA: 21026316
No vídeo apresentado temos como fator marcante a grande dependência tecnológica criada em volta da figura dos celulares. A caracterização de tudo que monta esse cenário nos mostra um personagem destacado do comportamento médio da população, ele se mostra alheio a essa alienação e sente invisibilizado com isso, se torna uma peça figurativa no andamento dos acontecimentos e em uma postura bastante contemplativa e estarrecida frente a isso tudo. O personagem nos traz a impressão que o uso excessivo do celular cria uma atmosfera com elementos que remetem ao fascismo, uma vez que são excluídos do convívio da maioria das pessoas, criando grupos marcadamente separados com uma grande tendência ao acirramento desses grupos sociais. As pessoas do texto acabam por desconsiderar a existência humana dos demais à sua volta, banalizando atos como o suicídio e supervalorizando o que gera aceitação e status nas redes, novamente, criando ambientes excludentes, que principalmente em países emergentes ou subdesenvolvidos torna tudo mais distante, traz o materialismo a esta discussão por ter essa separação, desenvolvendo a imagem do “inimigo” e eliminando a chance de ouvir o que essa parcela da sociedade pode trazer de contraditório. Esses usos e costumes trazidos pela tecnologia ao serem sobrepostos a valores éticos e morais causam um ambiente de grande favorecimento à diminuição da pluralidade de ideias, aumenta a necessidade de enquadramento de todos a certos padrões estabelecidos nesses ambientes virtuais comuns e também começa a servir de base para a aceitação de métodos violentos por parte da população uma vez que usados para garantir que serão mantidos esses elementos padronizados. Começa a aparecer em certo momento um sonho com a possibilidade de o personagem pequeno e alheio à situação ter a força suficiente para se defender frente ao contexto que forma uma anulação a si. O mesmo se vê sem nenhuma possibilidade de ser considerado, de ser ouvido como um contraponto a tudo que está acontecendo, o colocando como alguém que é silenciado frente a um regime fascista, um dos grandes fatores que caracterizam o fascismo é justamente esse cerceamento dos direitos individuais frente a uma noção de força criada para demonstrar que o estado é forte, que ele seguirá a garantir a segurança de todos, que é viável que se abram mão de liberdades frente a um pequeno e seletivo conforto que torna a presença do indivíduo menos passível de surpresas, dá uma impressão de estabilidade e de um cenário não facilmente alterável por algum fato isolado ou por algum grupo insurgente que pode não ser o mais agradável à sua visão, o que explica a necessidade de criação da figura do inimigo, ao se criar esse inimigo e tirando inicialmente a sensação de segurança é que se consegue o apoio e a legitimação do povo para que sejam cometidos atos bárbaros e que ferem direitos humanos da população. O que vemos aqui se encaixa muito nos atributos fascistas trazidos pelo texto de Francisco Teixeira, que além de dar uma base conceitual para esses atributos também mostra uma outra faceta importante que pode não ser compreendida pela maioria, de que o fenômeno é atemporal, não impedindo que numa sociedade de grande interação e mesmo com o desenvolvimento da tecnologia, sejam encontradas fortes possibilidades de um regime fascista, o que autores da área da filosofia citam como uma futura escravidão sem grades.
ResponderExcluirEm resposta ao Rafael Bortoni RA 21073716, realmente o resultado na sociedade apresentada na animação reflete da alienação e manipulação da base social trabalhadora. Frisamos também que a exclusão é a pauta mais visível também; relacionamos tal acontecimento com o materialismo histórico, no sentido de que a superestrutura cultural e seus valores - assim como citado pelo Rafael, na questão da indústria cultural - estão interligados a estrutura e o modo de vida - e também produção - social.
Alguns pontos da animação que explicitam a analogia do indivíduo preso e manipulado pelo sistema tecnológico: I. (0:03) as pessoas vidradas com o smartphone vão caindo no bueiro no início do vídeo porque não olham para o chão à frente; II. (0:51) dentro de uma tela de celular, pessoas trancafiadas numa espécie de prisão com grades; e III. (2:15) no cenário já colorido, a multidão caminhando, ainda com o olhar cativado exclusivamente no aparelho, em direção ao abismo.
Em suma, Bobbio em “Dicionário de Política”, na parte da explicação acerca do Regime Político, tem-se o conceito de materialismo histórico, que explica a relação existente entre uma determinada fase da evolução do modo de produção e a estrutura do regime político, e a ligação da superestrutura política com a estrutura social. Podemos relacionar tais conceitos com a questão do acesso à tecnologia e da exclusão, apresentadas na animação, de modo que há uma divisão entre quem possui e está dentro do padrão social e quem não é possuidor e/ou não utiliza com tanta frequência. Além disso, o inimigo - que é buscado na atmosfera fascista - pode ser exatamente o indivíduo que não se encontra no padrão.
Dupla Raphael e Pamela
Boa noite Anderson, pode só informar se o fechamento do envio dos comentários incluiu ou não nosso comentário? Informo que ficou muito grande e demoramos pra conseguir ver como seria melhor postar, tudo bem?
Excluir