Critérios
1. Responder em dupla (se não tiver fazê-lo individualmente) nos comentários a esse post.
2. Na resposta à questão, citar pelo menos uma das bibliografias trabalhadas no curso.
3. Comentar a resposta da dupla que escreveu antes de você, mas colocar o nome a quem seu comentário se refere. Se você for o primeiro, entrar novamente na discussão posteriormente para comentar ao menos uma resposta.
4. Responder aos comentários do moderador: prof. Mestrando Anderson Ricardo Carlos (PPG Ensino e História das Ciências).
Nome: Vinicius Gomes Lins RA 11075715
ResponderExcluirInicio aqui meu relato, primeiramente comentando que de fato é um vídeo que evidencia todas as angustias da modernidade: pressa, trabalho, alienação, transportes de massa, consumismo etc. O ponto é que proponho aqui um questionamento sobre que regime é esse? Respondo primeiro o que ele não é.
Vamos nos descolar da realidade e supor que o mundo quase pós apocalíptico do vídeo seja real, os estado-nação modernos são marcados pela democracia, entretanto o que foi retratado no vídeo esta longe disso, o meu primeiro critério é o mundo moderno retratado no vídeo não se encaixa no conceito de democracia desenvolvido por Aristoteles, como sabemos em Bobbio, Aristoteles propõe como critério de classificação natureza e numero. Ideia nº 1, o vídeo é contrario a ideia de bem comum, os humanos destroem seu próprio habitat, intoxicaram a vida social, não é nem o bem de todos os particulares tão pouco da coletividade.
Nº2 não há virtude nesse mundo, seres egoístas, mundanos, acovardados e gananciosos, Aristoteles é contra a usura e o enriquecimento sem freios.
Nº3 a massa não decide, a massa não detém o poder, se a maioria não governa evidentemente não é um governo de todos, frequentemente a população em geral é mostrada como uniforme, não existem minorias, nem diversidade nessa coletividade, a maior diferença é quem produz e quem consome, isso flerta bastante com a oligarquia, governo de pouco com interesses auto referenciados. Fica claro que é uma minoria rica que consegue decidir.
Tudo faz muito sentido esse mundo perdido, que passou por um ponto de não retorno não claramente identificado, nos remete há um saudosismo de tudo que era bom, antes desse ponto chegar, inclusive a própria antiguidade.
Continuando sobre a democracia não retratada, Como na aula de professor Ivan, temos a sua máxima “ regimes democráticos diminuem a desigualdade em países em que a desigualdade é acentuada” defendo aqui, que o eleitor médio é muito desigual em relação aquele que detém o poder, estamos falando de uma maioria miserável (socialmente) que tem simplesmente o mínimo possível para que o sistema continue girando. A questão é que a democracia conceituada de Ivan remete a Shumpeter, que é bem minimalista competição politica, voto, e regras eleitorais que são respeitadas. Refuto essa ideia de democracia minimalista, não há o mínimo de competição em uma elite restrita com interesses que convergem, as regras podem ser mudadas por quem tem o poder, e o voto não importa nesse cenário, todos são iguais e altamente influenciados, logo são conduzidos a um destino fatalista.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVinicius,
ResponderExcluirVocê discutiu em seu comentário sobre a conceituação de democracia sobre alguns pontos de vista, como o de Aristóteles e outros vistos em aula. Nesse sentido, comente sobre a distorção da democracia e as possíveis consequências de uma das figuras do vídeo sobre o ímpeto do indivíduo que questiona o sistema produtivo (como representado na fala “I can’t take this bullshit anymore”).
Att,
Moderado
NOME: Vinicius Gomes Lins R.A 11075715
Excluirresposta ao moderador
Bom ponto, durante o vídeo (1:10) de fato existe um único indivíduo que se mostra descontente, é o único que se mostra dessa maneira, chamo atenção a parte superior do vídeo, em que há três policiais não tão bem intencionados para resolver a questão. Essa imagem sozinha poderia ser interpretada de diversas maneiras, mas vamos por um instante lembrar-se do que foi dito anteriormente. Essa não democracia retratada poderia ser interpretada por Aristoteles como a “tirania da maioria” ou Demagogia já que não busca o bem comum, ainda sim é estranho a maioria decidir manter o esse status quo, em que se submete a diversas situações constrangedoras. De qualquer modo quando falamos de democracia devemos lembrar que mesmo a maioria decidindo, seu significado por excelência ela deve preservar o direito das minorias, nesse caso o sujeito se enquadra como minoria, e ele não tem o direito de se expressar livremente já é logo repreendido, ação típica de autoritarismo.
Algo que não esta em nenhuma literatura estudada e aqui me disponho a ser ousado, outra distorção que ocorre nessa não democracia é a ilusão da ideia de representatividade, quando pensamos que realmente decidimos algo sem perceber o que realmente acontece, podemos nos acomodar e mesmo quando temos “a melhor escolha” e isso não se efetiva nos acomodamos ainda mais, esse é o mal da democracia representativa, particularmente penso que no mundo retratado a solução é a democracia direta, participação efetiva, não vejo com pessimismo o individuo se mostrar descontente é preciso haver o primeiro, mesmo que ele seja preso ou pior, algo aconteceu. E citando a professora agora “a democracia deve ser sempre defendida, é uma porta aberta”. O espaço sombrio da democracia representativa é justamente a fiscalização ativa dos representantes.
Respondendo ao comentário do Vinicius Gomes:
ExcluirAndressa Regina Vizin - RA: 21026615
Camila Alves - RA: 21083416
Nós (Andressa e Camila) concordamos em partes com a comparação que o colega faz com a atual democracia, que muitas vezes parece a manutenção de uma oligarquia, especialmente no caso brasileiro.
A forma como se deram as relações sociais e de poder em nosso país, e a passagem dessa forma de relação ao âmbito político, contribuiu para que os nossos representantes democráticos fossem os mesmos que detém poder o econômico. Sendo assim, muitas vezes, ao invés de representar os interesses da maioria/dos eleitores, tais representantes estão lá para favorecer a si e a suas preferências, contribuindo para a manutenção da desigualdade e fazendo com que a democracia brasileira não seja plena.
Apesar disso, é necessário lembrar que ainda temos o poder de voto e que podemos mudar o cenário acima descrito, de forma a colocar em prática a real democracia. Existem, apesar de tudo, atores e policy makers influentes e preocupados com os interesses da população (vide por exemplo a ascensão das pautas feminista e LGBT no cenário político). Mesmo considerando que a classe política convirja demasiadamente com a elite, não devemos minimizar a importância que as eleições e os plebiscitos possuem na nossa sociedade. Devemos prezar pela liberdade de expressão e pelo sufrágio universal e incentivar cada vez mais as pessoas a fazerem bom uso desses direitos tão recentes e essenciais para a manutenção da democracia.
sim, quis deixar bem claro que o mundo retratado aumenta vários defeitos do nosso mundo, o Brasil possui instituições que funcionam e mesmo quando constrangidos temos a quem recorrer, mesmo que de modo ineficiente. não existe esperança no vídeo, no mundo real há a possibilidade de mudanças minimamente significativas: Educação.
ExcluirAndressa Regina Vizin - RA: 21026615
ResponderExcluirCamila Alves - RA: 21083416
De acordo com o texto de Francisco Carlos Teixeira, os diversos fascismos que tivemos no decorrer da história (e principalmente durante o século XX) possuem uma série de pontos em comum. Dentre eles, podemos citar “uma ausência notável de qualquer análise da participação das chamadas massas populares” (Teixeira, 2003). Essas massas são grandes porções da população, descritas como um “elemento passivo, manipulável e capaz de furores coletivos” (idem). Além disso, um outro “fundo em comum seria a mobilização [dessas] massas contra um inimigo comum, objetivado” (idem). Tendo essa definição em consideração, o vídeo apresentado faz um crítica à massificação das pessoas pelo uso da tecnologia. O desenvolvimento da internet, os computadores pessoais e, mais recentemente, os smartphones, mudaram o curso da história e permitiram que muitas vozes ganhassem uma relevância que não obteriam em outros tempos. Esse efeito tem pontos extremamente positivos, como a liberdade de expressão, a aproximação de pessoas de culturas diferentes etc.
No entanto, seu lado ruim foi brevemente explicitado no vídeo. Na era da informação, as pessoas parecem cada vez menos informadas. Vemos notícias falsas circulando a uma velocidade enorme, a facilitação do consumo de bens supérfluos (com as compras pela internet, por exemplo), um aumento enorme na quantidade de lixo produzida por nós, dado que essa tecnologia evolui muito rapidamente e nossos aparelhos se tornam obsoletos cada vez mais rápido, virando lixo. Um outro efeito da evolução da internet é a massificação de discursos de ódio.
No momento político que vemos no nosso país, de incerteza e crise, cada vez mais vozes cheias de raiva e sem muito entendimento de questões históricas e sociológicas se levantam e movimentam muitas pessoas. Como discutimos em sala, vemos a ascensão de discursos que pedem de volta a ditadura militar ao nosso país, como se esse evento tivesse sido brando e mal pudesse ser caracterizado como uma ditadura, e esses grupos se articulam principalmente via redes sociais. Vemos também a facilidade com que a população foi dividida em dois, baseado unicamente em um inimigo em comum (temos a “direita” cujo inimigo em comum é a “esquerda” e vice-versa). Essa tendência a esquecer do passado e transformar o fascismo em um evento meramente histórico (também colocado pelo Prof. Carlos Teixeira) pode nos levar a negligenciar essas tendências atuais e levar as massas novamente a um estado de violência extrema, como aconteceu nos países europeus durante a segunda guerra mundial e no regime stalinista na então URSS.
Andressa e Camila,
ExcluirNo comentário de vocês, vocês fazem uma crítica ao consumismo, contribuindo, entre outros fatores, para gerar uma enorme quantidade de lixo. Utilizando de tais discussões e explorando outras, explique as relações entre a alimentação e o consumo, analisando-os no âmbito da esfera pública
Att,
Moderador
Respondendo ao moderador:
ExcluirAndressa Regina Vizin - RA: 21026615
Camila Alves - RA: 21083416
Apesar dessa discussão não ter sido tema das aulas nem dos textos, podemos dizer que o regime capitalista nos leva inevitavelmente ao consumo. Trabalhamos para consumir, e consumindo colaboramos com a manutenção desse sistema. Um problema a ser considerado é a mercantilização de bens de consumo essenciais, como a comida e a água, por exemplo. Principalmente quando pensamos numa sociedade economicamente dependente do setor agrônomo, como a brasileira, vemos a problemática que a busca de lucro através da venda de alimentos gera. Enquanto toneladas de alimentos são produzidos e descartados por não terem valor de venda (apesar de estarem em perfeitas condições), temos pessoas que morrem de fome todos os dias. O vídeo traz essa crítica claramente em diversos momentos.
Como o colega Murilo Silva colocou, Hannah Arendt traz esse tipo de crítica em seu livro. “Os interesses privados, que por sua própria natureza, são temporários, limitados pelo período natural de vida do homem, agora podem fugir para a esfera dos assuntos públicos e tomar-lhe emprestado aquela infinita duração de tempo necessária para a acumulação contínua” (Arendt, 1951). Esses interesses privados e limitados de uma partícula rica e detentora da produção de alimentos no Brasil se sobrepõem às necessidades de milhares de brasileiros que não têm condições de se sustentar. Essa desigualdade se torna um problema público a ser resolvido, uma vez que produzimos alimento o suficiente, porém nem todos podem consumir. Cabe ao Estado, através de políticas públicas, trabalhar em prol do fim dessas desigualdades, e cabe à população lutar contra nossas tendências consumistas e buscar a justiça, algo que nos é permitido graças à democracia (afinal, o Brasil está entre os países que mais joga comida fora no mundo). Como exemplo de política pública bem sucedida neste âmbito, temos o Bolsa Família, que, trabalhando com a redistribuição de renda, colaborou para que uma parcela da população pudesse sair de uma situação de fome extrema.
Já como alternativa à produção demasiada de lixo, fomentada pela obsolescência programada, além de praticar o consumo consciente, devemos evitar o desperdício, seja em relação aos alimentos e também quaisquer produtos oferecidos pelo capitalismo. Além disso, o reuso e a reciclagem de resíduos entra como importante fator para a redução de uso de recursos primários, contribuindo para diminuição da deterioração ambiental. Aqui entra também a Logística Reversa já praticada por parte das empresas, mas não adotada de forma abrangente a ponto de reduzir os impactos do consumismo. Cabe então, a esfera pública, fomentar tais políticas, começando pela a ampliação de oferta do serviço de coleta seletiva, por exemplo, que ainda atende uma parcela restrita da população nacional, apesar de ser uma prática completamente relevante no cenário nacional. Uma vez num sistema democrático, devemos usar desse direito para exigir que pautas ambientais entrem como prioridade nas agendas governamentais.
- André Lopes Apude - RA 21024713;
ResponderExcluir- Gustavo Rios da Silva - RA 21055816;
- Endereçado ao Moderador.
De fato, o que se observa no vídeo são retratações realistas sobre características específicas da sociedade do consumo, a chamada “cultura do capital” implanta na mentalidade do ser humano algumas regras e padrões a serem seguidos, sendo que, esses próprios padrões tem um caráter alienante. No trecho do verbete “Regime Político. DEFINIÇÃO. segundo parágrafo da pg 1081” Quando Norberto Bobbio faz uma referência ao papel das instituições afirma que “(elas) constituem, por um lado, a estrutura orgânica do poder político, que escolhe a classe dirigente e atribui a cada um dos indivíduos empenhados na luta política um papel peculiar. Por outro, são normas e procedimentos que garantem a repetição constante de determinados comportamentos e tornam assim possível o desenvolvimento regular e ordenado da luta pelo poder, do exercício deste e das atividades sociais a ele vinculadas.” Sendo assim, podemos concluir que a natureza da sociedade retratada é de pessoas com o comportamento padronizado, dominados pelas instituições do capital, a fim de serem instrumentos na luta pelo poder, pois o consumo e a luta por padrões, gira a economia e enriquece àqueles que estão nas classes superiores. Seguindo uma vertente semelhante de raciocínio, as colegas Andressa Regina Vizin - RA: 21026615
Camila Alves - RA: 21083416, fazem uma referência mais específica sobre os meios utilizados na sociedade atual, concluindo que, são meios diferentes, mas que podem levar à um mesmo fim, que é o chamado "estado de violência extrema" ou quem sabe de sujeição extrema.
Mais uma referência à isso, é que na obra “Origens do totalitarismo”, de Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica, está observado que o “totalitarismo não procura o domínio despótico dos homens, mas sim um sistema em que os homens sejam supérfluos. O poder total só pode ser conseguido e conservado num mundo de reflexos condicionados, de marionetes sem o mais leve traço de espontaneidade. Exatamente porque os recursos do homem são tão grandes, só se pode dominá-lo inteiramente quando ele se torna um exemplar da espécie animal humana” (ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia das Letras, 2000, p. 507).
No vídeo em análise, em diversas oportunidades, o homem foi retratado como “exemplar da espécie animal humana”:
- 0min11seg - Zumbis curvados aos “smartphones”;
- 0min23seg - Multidão de ratos vestidos de roupa social (terno) embarcando no metrô;
- 0min35seg - Trabalhadores na linha de produção sendo chicoteados pelo Papai Noel (símbolo do capitalismo/consumismo);
- 01min09seg - Multidão de trabalhadores engravatados, com destaque a um dissidente (“I can´t take this bullshit anymore!”), que está em vias de ser pego por autoridades policiais; e,
- 05min20seg - Um cidadão sendo pego pela multidão de feras em razão de seus comentários.
Nesse sentido, no longa-metragem “1984”, baseado na obra literária de George Orwell (pseudônimo Eric Arthur Blair), objeto do seminário apresentado na aula do dia 25.10.2017, a figura humana também é reduzida a uma “marionete”. Em abono a tal assertiva, vale mencionar o uso de uniformes, o consumo de ração, bem como o nome do protagonista (Winston Smit - “Zé Niguém”) e de seu par romântico (Julia, sequer tem sobrenome).
A propósito, a personagem Julia, no filme “1984”, colaboradora do Ministério da Verdade (Miniver ou Minivero, em novilíngua), mais precisamente do Departamento de Ficção (Ficdep, em novilíngua), era responsável em manejar as máquinas criadoras dos enredos de novelas (sim, competia às máquinas a produção cultural). A qualidade da cultura consumida pela população também é retratada no vídeo em análise (01min43seg - família unida no sofá assistindo televisão, cujo conteúdo é extraído, sem filtro, das fezes de um touro leitor de jornal).
André e Gustavo,
ExcluirVocês citam sobre a obra de George Orwell na resposta, onde a figura humana também é reduzida a uma marionete. Portanto, no contexto de consumo de ração, de subnutrição e a venda de substâncias tóxicas e aditivos à população (como agrotóxicos nos alimentos e medicamentos), explique suas relações com o regime capitalista. Desenvolva tal argumentação utilizando imagens expostas no vídeo.
Att,
Moderador
NOME: Vinicius Gomes Lins R.A 11075715
ExcluirMuito bem colocado, gostaria de complementar rapidamente uma ideia que Arendt demonstra em seu livro frequentemente, claro que não com essas palavras, o perigo e a facilidade de se mover massas ignorantes, não apenas um conjunto de pessoas supérfluas, a massa a coletividade, e o pensamento coletivo que mantem o tecido social conciso, digo especificamente, influenciar uma pessoa individualmente é mais trabalhoso do que trabalhar com a massa não esclarecida em que o discurso é emotivo e se retroalimenta essa dita irracionalidade, leva a tudo que foi tangenciado aqui em diferentes pontos.
Resposta ao prof. Mestrando Anderson Ricardo Carlos (PPG Ensino e História das Ciências).
ExcluirO aspecto da produção em massa, a lógica da sociedade do capital é: se produz mais, coloca-se mais no mercado, para que se venda mais, para aumentar a produção, modifica-se geneticamente/biologicamente a natureza dos produtos, para acelerar o processo natural, criando assim, um processo quase que retroativo dessa sociedade. Os trechos do vídeo que melhor retratam essa questão, estão aos
- 00:01 - Homem sedentário com acesso irrestrito a “fastfood” (KFC e McDonald´s) por meio de “autofeeder” (“comedouro automático”). O consumo de refrigerante (Coca-Cola) e de medicamentos (Meds) é ininterruptos.
-01:06 - quando, nesse momento, o processo de retroação fica um pouco mais claro;
- 01:43 - família unida no sofá assistindo televisão, cujo conteúdo é extraído, sem filtro, das fezes de um touro leitor de jornal. O único alimento, pipoca, está no piso, tendo como suporte uma tigela de ração.
- 01:58, está demonstrado como a vida se coisificou, ou como diria Marx se "reificou", aos 3:39, a população se esgueirando para conseguir consumir um produto que é tóxico e que provavelmente a matará vagarosamente;
-03:52, mostra um produto que em seu rótulo existe uma descrição sobre seus ingredientes, que parece mais a descrição de alguns compostos químicos.
- André Lopes Apude - RA 21024713;
Excluir- Gustavo Rios da Silva - RA 21055816;
Luana Steck (21051912)
ResponderExcluirNaara Campos de Souza (21050313)
-> Comentário do vídeo: [PARTE I]
O vídeo conta como plano de fundo com a música ”keep the streets empty for me”, da banda Fever Ray, a letra da música remete ao individualismo e a solidão, com uma “vibe dark”. Em determinado ponto a letra diz: “seguindo a correnteza que leva ao norte", o que pode facilmente ser comparado com a alienação das pessoas frente a sociedade do consumo e a completa imersão em redes sociais. No que se refere as imagens, o vídeo conta com uma série de ilustrações de Steve Cutts, conhecido por criticar duramente a sociedade consumista, principalmente com esse viés high-tech. A preferência do ilustrador é retratar a sociedade e a vida, de maneira geral, passando uma imagem forte que gere alguma reflexão.
Dentre as temáticas abordadas pelas ilustrações do vídeo, podemos destacar: gula, dependência dos smartphones e das redes sociais, comportamento de massificado da sociedade, extremo consumismo e culto as marcas, críticas a devastação do meio ambiente, a busca pela felicidade através do consumo, escravidão e regime de exploração dos trabalhadores, entre outros. O modo irônico com o qual esses temas são trabalhados e representados tem grande impacto, gerando um imediato auto reconhecimento e empatia com a situação. Além de se aproximar do conceito de massificação da população apresentado do texto de Francisco Carlos Teixeira da Silva sobre “Os Fascismos”.
Também podemos relacionar o vídeo com o conceito de capitalismo parasitário de Zygmund Bauman, que compara o capitalismo a um parasita, que busca um organismo saudável para explorar, assim prejudicando seu hospedeiro até mesmo na sua sobrevivência mínima. O capitalismo sempre se reinventa de modo a criar novas formas de exploração. No vídeo podemos perceber a sede da população em consumir e além disso exibir seu poder consumo. Esse consumo desenfreado de bens, muitas vezes sem utilidade prática, movimenta um mercado capitalista enorme. Mercado esse que explora desde a mão de obra de produção paga com salários que não provém o mínimo para sobrevivência do mais pobre, passando pela mídia que incentiva o comportamento consumista e pelos bancos que lucram com o endividamento que ocorre por meio do consumo desenfreado.
Esse comportamento consumista caracteriza uma “sociedade do consumo” que gira em torno de ofertas que geram uma satisfação temporária. O consumo desenfreado que tem em vista cria vínculos cada vez mais superficiais e relações fracas baseadas na aparência. Somos bombardeados cada vez mais com informações diversas que criam uma capacidade impressionante de reduzir a nossa autoconfiança, pois dificultam ainda mais o encontro de soluções, resultando na imediata autodepreciação e no autoescárnio.
Luana Steck (21051912)
ExcluirNaara Campos de Souza (21050313)
-> Comentário do vídeo: [PARTE II]
No entanto, esse sistema parasitário só existe com o auxílio do Estado que garante ao mercado os meios necessários para que o capitalismo se mantenha em posição central na sociedade. Citando Bauman se referindo ao Estado: “primeiro, subvencionar o capital caso ele não tenha o dinheiro necessário para adquirir a força produtiva do trabalho. Segundo, garantir que valha a pena comprar o trabalho, isto é, garantir que a mão de obra seja capaz de suportar o esforço do trabalho numa fábrica”. Enfim, o capitalismo se mantém pela relação acertada entre Estado, detentores do capital, tendo como pano de fundo uma população que se deixa seduzir pelo prazer de consumir.
Nossa argumentação dialoga com o texto: "A democracia reduz a desigualdade econômica?", escrito pelo Professor Dr. Ivan Fernandes. Em sua obra o professor Ivan, por meio de análise de séries históricas de dados analisa o efeito da democracia em relação as desigualdades econômicas. A conclusão, resumidamente, é a de que a democracia tem um efeito negativo nas desigualdades. O termo negativo, sendo entendido de maneira matemática, no sentido de diminuir as desigualdades. Tendo isso em vista, gostaríamos de discutir o efeito da alienação, que se dá por meio do consumismo parasitário, na diminuição ou aumento da desigualdade. Como dito anteriormente, há cada vez mais um bombardeio de informações, é difícil analisar o que é real, falso, acadêmico ou apenas uma opinião. Essa situação pode propiciar um ambiente no qual é mais fácil conduzir a população em um sentido que seja mais interessante para um governo de situação ou ainda para outro que esteja interessado em assumir o poder.
Analisando essa situação, entendemos que a democracia pode não estar presente na sociedade, ou ser apenas uma fachada criada através da mídia e mantida a custas do consumismo desenfreado. Consumismo esse cria desigualdades, por isso só. Portanto, entendemos que o consumismo parasitário cria uma situação de desigualdade econômica que é reforçada pelo que pode vir a ser por uma falsa democracia. Visto que a falta de democracia aumenta a desigualdade econômica.
Luana e Naara,
ExcluirAo longo da argumentação de vocês, já há a discussão de vários pontos que tangenciam a questão da polarização da vida privada e da esfera pública. Contudo, baseado nas discussões em sala ou mesmo na bibliografia, esclareça como a valorização exclusivamente da vida privada e a atrofia da esfera pública afetam a democracia, utilizando na explicação algumas figuras de Steve Cutts vistas no vídeo.
Att,
Moderador
Luana Steck (21051912)
ExcluirNaara Campos de Souza (21050313)
-> Resposta ao moderador:
Atualmente há uma supervalorização do individual em detrimento do coletivo. A vida privada tem cada vez mais importância, existe um narcisismo nas relações sociais, as pessoas vêm se preocupando cada vez mais com as suas necessidades em detrimento do conjunto que é a sociedade. A esfera pública se atrofia devido a progressiva diminuição da preocupação com as atitudes que podem afetar e influenciar o coletivo. Essa falta de preocupação com o coletivo faz com que a democracia sofra no que se refere a sua origem e princípios. Visto que para que haja democracia é preciso que exista o engajamento da sociedade nas decisões que são tomadas e no caminho que está sendo seguido não só pelo Estado, mas também por toda a população.
O acesso a redes sociais e a informações criam situações interessantes. Não queremos, de maneira nenhuma, desmerecer o papel das redes sociais como recurso nas mobilizações sociais recentes, como a chamada Primavera Árabe. Existe engajamento político e social que se dá por meio do acesso a informação, no entanto essa movimentação em boa parte não sai do âmbito virtual, assim, não tem grande influência na esfera pública. Na maior parte desses casos, ele se restringe a uma militância de redes sociais. Além disso, algumas dessas militâncias não se baseiam em fatos históricos, se aliando a discursos extremistas e de ódio, são apenas repetição de um discurso enlatado que serve a uma camada da sociedade.
Conforme o próprio Stven Cutts já afirmou em algumas entrevistas, suas obras são de fato chocantes e provocadoras, o que não significa que ele veja somente o lado obscuro ou negativo dos recursos, como smartphones, mídia e redes sociais. Ele afirma que sua crítica se baseia no modo como a sociedade encara esses recursos, a dependência inegável que se tem deles, o poder que eles têm sobre a vida – seja nas expectativas ou nas definições de moral e opinião-, além da maneira desregrada e predatória com a qual esses bens são produzidos.
No que se refere ao aspecto trabalhado, podemos destacar a imagem do cano de esgoto representando Donald Trump, dos zumbis demasiadamente focados em seus smartphones para perseguirem cérebros (ou talvez, pessoas transformadas em zumbis por escolherem os smartphones em detrimento dos próprios cérebros), a vaca defecando na televisão representando a cobertura da imprensa, o trio com a cabeça aberta sendo dirigido por gatinhos, entre outras. São todas representações de uma profunda alienação da população no setor privado, que engole tudo que é repassado pela mídia ou pelas redes sem de fato processar a informação.
Luana Steck (21051912)
ResponderExcluirNaara Campos de Souza (21050313)
-> Resposta ao comentário da Andressa e da Camila:
Conforme o comentário das colegas e como mostra no vídeo, com a imagem de um cano de esgoto representando o presidente estadunidense Donald Trump, os discursos de ódio e preconceito também encontram espaço para propagação nas redes. É possível percebermos uma grande falta de empatia e demonização do outro, daquele que não pertence ao seu grupo. Movimentos vistos internacionalmente como, por exemplo, as manifestações xenofóbicas (principalmente no que se refere a crise dos refugiados) supremacistas brancos, grupos conservadores (atacando os direitos LGBT, etc.), reforçam essa tese.
De modo geral, as pessoas ou grupos que adotam esses discursos extremistas distorcem a história ou não demonstram possuir conhecimento desses fatos, bem como de conceitos filosóficos e sociológicos. Partindo para um ódio irracional daquele que vê como inimigo no lugar de refletir sobre a situações, pesando as possíveis decisões e consequências.
Professora e moderador,
ExcluirNão atualizamos a página antes de postar a resposta ao comentário, acabamos comentando o da Andressa e Camila e não o do André e Gustavo. Tem algum problema?
Luana e Naara
Luana e Naara,
ExcluirNão se preocupem com a ordem do comentário. O importante é citar em cima em relação a quem vocês estão comentando (como vocês mesmo fizeram).
Ok, muito obrigada!
ExcluirLuana e Naara
Por Murilo Silva - RA: 21020414
ResponderExcluirEm complemento a Andreza Vizin e Camila Alves, o vídeo analisado faz uma crítica ao modo de vida consumista, que é consequência de um sistema capitalista, onde Hannah Arendt, em seu texto As origens do totalitarismo, anti-semitismo, imperialismo e totalitarismo, Hannah Arendt faz uma análise sobre a condição humana frente a interesses privados e dominação política. Onde a burguesia europeia, que antes, esperava menor invertenção do Estado no mercado e garantias da propriedade e do cumprimento dos contratos, passa então ela mesma a controlar o aparato estatal e então implementar um imperialismo como primeiro estágio do domínio político da burguesia.
As analogias feitas no vídeo de pessoas como animais, também existe na obra de Arendt, quando ela faz menção às sociedades das formigas e das abelhas:
“os interesses privados, que por sua própria natureza, são temporários, limitados pelo período natural de vida do homem, agora podem fugir para a esfera dos assuntos públicos e tomar-lhe emprestado aquela infinita duração de tempo necessária para a acumulação contínua. Isto parece criar uma sociedade muito semelhante àquela das formigas e abelhas, onde ‘o bem Comum não difere do Privado; e sendo por natureza inclinadas para o benefício privado, elas procuram consequentemente o benefício comum’. Não obstante, uma vez que os homens não são nem formigas nem abelhas, tudo isto é uma ilusão. A vida pública assume o aspecto enganoso de uma soma de interesses privados, como se estes interesses pudessem criar uma nova qualidade mediante a mera adição.“
O vídeo então, traz uma série de charges críticas à essa sociedade do consumo, que é resultado em curso de um projeto estabelecido historicamente pela classe burguesa que condicionou a trajetória da humanidade ao percurso do consumismo como modelo de vida.
Murilo,
ExcluirEm seu comentário você cita a obra de Arendt e a comparação da sociedade humana a de animais, como formigas e abelhas. Discorra um pouco mais sobre representações de padronização da sociedade no sistema capitalista explicitando no seu comentário uma (ou algumas) das figuras do vídeo que indicam exatamente esse ponto.
Att,
Moderador
Pierre Dardot e Christian Laval, filósofo e sociológo franceses, discutem, no livro Nova Razão do Mundo, o neoliberalismo e sua enorme influência na sociedade a partir da formulação desse pensamento na década de 70, sua projeção internacional na década de 90, com governos dessa ideologia na Inglattera e Estados Unidos (Tatcher e Reagan) e as mudanças que elas estabeleceram na sociedade a partir de então. O que os autores trazem é que, sempre se estabeleceu que Estado e Mercado sempre foram antagônicos, em qualquer forma de ideologia política e econômica, mas que, no neoliberalismo, há uma simbiose onde mais do nunca na história humana, o Estado está em função dos interesses do Mercado.
ExcluirEm resposta ao moderador Anderson
ExcluirSobre padronização da sociedade, faço relação ao conceito de sociedade das massas, que, para Félix Guattari, a massificação da população foi vista no início do século em regimes fascistas e atualmente também é vista em sistemas capitalistas, onde os desejos de consumo são moldados em blocos subjetivos, o individuo é condicionado à lógica da competição, ao consumo e acumulo, o sentimento de coletividade é diminuído em relação ao de individualidade, embora a identidade seja construída através de símbolos, como pessoas de sucesso: jogadores de futebol, atores, grandes empresários, etc.
Nome: Vinicius Gomes Lins RA 11075715
ResponderExcluirponto de vista adicional sobre a manutenção do poder nos diferentes regimes e suas consequências imediatas.
Algo exposto no livro estudado Democracia e Desigualdade é que a democracia em si possui em sua definição minimalista ou mais ampla, responsabilização/ accountability.
diferente de um regime autoritário em que o governante não precisa responder as demandas de um grupo necessariamente, em uma democracia real, só serão eleitos e reeleitos os que fazem algo e são julgados como responsivos “cumprem com o que dizem” . é por isso que os problemas estimados entre ele a desigualdade são solucionados, o tema é visto como um problema público, se torna plataforma partidária e é implementado, suas consequências mudam o ambiente e retroalimentam o sistema, por outro lado em uma perspectiva Hobbesiana, na qual só o numero dos que assume o poder importa, e o Estado se define pela manutenção da ordem e não guerra (paz) (DeCive), o poder do autoritário é paralelo ao do monarca, sem divisão de poderes e absoluto, poder sem freios, “se você pode oprimir vai oprimir”.
é evidente que o poder no regime autoritário é um fim em si, e sua perpetuação é o poder pelo poder, é relevante e conveniente ao governante autoritário, se manifestar e expressar a massa dessa maneira, aos moldes de Maquiavel "faça atos benevolente aos pouquinhos".
Dialogando com o Vinicios, e o Livro Democracia e Desigualdade, para além do conceito de democracia que pode ser amplo ou minimalista é preciso contrapor o mesmo com o conceito de república, pois segundo Madison " Os dois grandes elementos de diferenciação entre uma democracia e uma república são: em primeiro lugar, na república há uma delegação da ação governativa a um pequeno número de cidadãos eleitos pelos outros; e em segundo lugar, ela pode ampliar a sua influência sobre o maior número de cidadãos e sobre uma maior extensão territorial. E a questão maior seria Noberto Bobbio "A democracia política foi e é até agora necessária para que um povo não seja governado despoticamente. Mas ela é também suficiente?" E como vemos no vídeo e em nossa sociedade, parece cristalino que somente a democracia representativa como forma de governo, não é capaz de transformar os países em sociedade civil democrática, dividindo os bens de forma equitativa.
ExcluirTatiane,
ExcluirDiscuta um outro ponto ainda não tão explorado por seus colegas até agora: a monetarização das atividades humanas para o regime democrático e sua influência na depredação da natureza.
Att,
Moderador
Anderson,
ExcluirUma frase que define bem esta questão foi dita por John Muir "A Terra pode sobreviver bem sem seus amigos, mas os humanos se quiserem sobreviver, devem aprender a ser amigos da Terra". O capitalismo desenfreado tem transformado tudo em mercadoria e as pessoas na ânsia de ter e comprar esquecem que os humanos não se alimentam de dinheiro e que o progresso através da compra/consumo de mercadorias a longo prazo transformará o planeta em um grande lixão.
Juliana Macedo RA: 21035314
ResponderExcluirRaphaela T. Oliveira RA: 21045615
As imagens nos levam a reflexão e fazem uma crítica à vida moderna pautada no consumo de massa da cultura e da tecnologia e quais são as consequências desse comportamento em nossa sociedade. Cada vez mais escravos de tecnologias como smartphones, notebooks, tablets, os indivíduos se fecham no mundo paralelo das redes sociais, o que gera uma falsa sensação de interação social. Presos em bolhas sociais, as pessoas nessa realidade paralela acabam “convivendo” apenas como ideias e pessoas semelhantes a elas. Tudo o que vai de encontro aos seus ideais pré-concebidos delas, portanto, muitas vezes é recebido com estranhamento e rapidamente o comportamento do ódio pode ser identificado, uma vez que o “anonimato” da internet protege.
As grandes corporações se utilizam desses meios para vender a ideia de que só se é alguém a partir do momento em que há o consumo de seus produtos. Diariamente a grande mídia fomenta esse comportamento (que em determinado momento se torna subconsciente), além de impor o que é socialmente aceitável ou não, quem é nosso inimigo interno, o valor da meritocracia. Grande parte da população é condicionados a pensar como quem está no poder quer que pensemos. Algo muito parecido com o que foi discutido em sala sobre o filme 1984, em que as pessoas vivam a verdade que o Big Brother ditava.
Quanto aos direitos como cidadão, o que é de interesse público, se torna acessório. Podemos ser tratados e confinados como ratos em laboratório. No transporte público somos muitos em um espaço muito pequeno; nossa alimentação se torna cada vez mais industrializada e pautada na praticidade (cada vez mais consumo de “junk food”, enlatados e produtos transgênicos que ao menos sabemos a consequência de seu consumo); nossa privacidade já não é mais uma garantia; nossos gostos, comportamento, nossas emoções são cada vez mais “algoritimizados” e consequentemente padronizados e vendidos por empresas como Facebook ou Google; o entretenimento das TV’s são reality shows, verdadeiros experimentos sociais de confinamento. Enfim, a todo momento a falta de senso crítico e a tolerância sobre a nossa qualidade de vida estão sendo testadas.
Enquanto isso, as fontes de enriquecimento de grandes empresas se vale às custas da exploração negligenciada da mão de obra barata e dos recursos escassos do nosso planeta. E desse sistema padronizado, sequencial e repetitivo é possível se livrar? Dentro de um regime democrático, que liberdade nós temos de fato? Boobio (1987), em seu capítulo que trata de democracia e ditadura aponta as avaliações positivas da democracia em contraposição a autocracia. A primeira diz respeito à limitação de poderes que a democracia promove, pois quem detém o poder tende a abusar dele, mas o povo não pode abusar do poder contra si mesmo. A segunda diz respeito a uma lógica utilitarista, ou seja, os melhores representantes dos interesses coletivos é a própria coletividade. O questionamento que fica diante de tudo o que foi relatado, é se realmente o povo é soberano no caso da democracia representativa brasileira, ou se fica a cargo de quem possui poder político e econômico realmente decidir os rumos do país.
O clipe ainda abre para a reflexão sobre a banalidade do mal, conceito explicitado por Hannah Arendt, no qual indivíduos tendem a naturalizar ou aceitar situações tidas como inaceitáveis e cruéis quando se há um governo por trás para legitimar essas atitudes, no caso, uma força coercitiva maior na qual os indivíduos podem se respaldar para não assumirem suas responsabilidades em relação a atrocidades. Ainda que atualmente os regimes totalitários estejam cada vez mais em decadência, a banalidade do mal pode ser aplicada na exploração de classes, nos desmatamento desenfreado, em suma, no retrato que o neoliberalismo desenvolvimentista e o capitalismo transformam nossas sociedades atuais.
Juliana e Rafaela,
ExcluirVocês comentaram um pouco sobre o monopólio das grandes empresas e da mídia. Nesse contexto, discuta o que representa a imagem de Steve Cutts sobre o cérebro moldado a partir das grandes marcas, contribuindo para a atrofia da esfera pública.
Att,
Moderador
Resposta a Juliana e Raphaela
ExcluirCreio que a minha análise do vídeo e do curso vai muito de acordo com a de vocês. Porém, no último parágrafo vocês citam que regimes totalitários estão cada vez mais em decadência e que a banalidade do mal se dá de outras formas hoje, sob o retrato do neoliberalismo. Gostaria apenas de refletir sobre os governos e ideologias que têm acendido ultimamente, no mundo e também no Brasil. Temos visto governos extremamente autoritários nos EUA, ideologias segregacionistas na Europa, fechando suas fronteiras e enfraquecendo pactos de integração regional frente à crise, as sociais-democracias sendo destituidas na América Latina e no Brasil, para além do descumprimento do pacto social e desrespeito às instituições vigentes, um governo que não leva em conta os direitos fundamentais, é claramente corrupto e não tem nenhum objetivo de governar para os trabalhadores e trabalhadoras comuns, mas apenas aumentar os investimentos de empresas estrangeiras em território nacional. De fato, esses regimes citados não são totalitários (do ponto de vista do Estado), pois existe espaço de poder para o setor empresarial, mas também acho que não se pode dizer que os governos não são uma forma de banalização do mal, já que têm o poder de acabar com a exploração de classe, devastação ambiental, etc, e não o fazem por não ser prioridade.
Juliana Macedo RA: 21035314
ExcluirRaphaela T. Oliveira RA: 21045615
Resposta ao moderador.
O cérebro pré-moldado pelas grandes empresas nada mais é do que o retrato do que o capitalismo é hoje em dia: uma máquina de criar e plantar desejos em nosso subconsciente ao ponto em que confundimos estes com necessidades. Assim também seria o próximo frame: engolimos indistintamente o que essas grandes empresas fabricam, sem parar muito para pensar e alimentamos-nas com dinheiro, que apenas fomenta seu império. Quanto a cultura, um frame significativo é o do Touro (bull) sentado em cima de uma TV enquanto uma família o assiste defecar; analogia clara também a hegemonia comercial e midiática dos Estados Unidos, da qual também absorvemos seus produtos de maneira desenfreada e pouco reflexiva. Dentro deste contexto, a atrofia da esfera pública se destaca pela desvalorização daquilo que é público ou advém desta esfera em detrimento da exaltação daquilo que é privado ou é produzido pelo mercado, colocando como um padrão a ser seguido e alcançado.
A liberdade tanto exaltada e já aqui por nós questionada, também é um aspecto do neoliberalismo no que se refere a ao autopoliciamento de Foucault. Nosso sistema e modelo são tão bem engendrados que nós mesmos somos nossa força coercitiva. A mídia, a tecnologia, as redes sociais fazem o papel de um ditador de forma sutil e romantizada e nós até mesmo gostamos de integrar esse sistema. Tal qual a nossa discussão exposta através da análise fílmica da produção “1984”, o nosso Big Brother atual está mais perto de nós do que pensamos, mais docilmente perpetrado em nosso dia-a-dia. Por fim, a música deixa claro isso em seu último verso, quando diz que "estávamos famintos antes mesmo de nascer" - isto é, estamos inseridos nesta lógica há muito tempo e ela tende a perdurar.
Anderson,
ExcluirA partir do texto de Noberto Bobbio (item 4.O Uso histórico) e em contra ponto com o monopólio que as grandes marcas exercem de forma discriminada na grande massa podemos considerar que não chegamos a democracia, pois tomando a analise dos antigos como Platão (histórias regressivas) e Políbio (cíclico-regressivas), estaríamos ainda vivendo o segundo processo que é quando a aristocracia degenera em oligarquia. Conseguinte apesar de na teoria o povo através do sufrágio universal escolher os governantes na prática é sabido que a grande massa é utilizada em favor de um poucos que dominam os meios de produção, o dinheiro e o poder de decisão.
Juliana Macedo RA: 21035314
ExcluirRaphaela T. Oliveira RA: 21045615
Resposta a Luiza,
O conceito de banalidade do mal está mais próximo a indivíduos do que a Governos propriamente falando… Está mais ligado consciência individual. Ainda assim sua reflexão é válida no que tange aos interesses dos Governos que por vezes são difusos e elencam outras prioridades em sua agenda, prioridades estas que muitas vezes vão de acordo com o sistema capitalista vigente e preponderante em detrimento do que realmente seria benéfico a todos de forma equitativa e não excludente.
Reforçando suas definições de democracia, vale lembrar que a participação popular também é mecanismo importante e intrínseco a ela, no entanto, diante do cenário atual, voltamos ao questionamento de até que ponto realmente temos liberdade para exercemos a participação e até que ponto achamos que possuímos essa liberdade.
Luiza Fegadolli Nunes da Silva
ResponderExcluirRA: 21030115
É fato que existem pontos positivos no desenvolvimento das tecnologias do trabalho e da informação (disseminação e diversificação e democratização da informação, eficiência comunicativa, maior facilidade na produção de conhecimento, etc) e acredito que o debate em torno delas é mais produtivo quanto menos moralista for (no sentido de ser saudosista à época em que não existiam celulares, computadores, etc), mas é fato também que a forma como o mundo contemporâneo tem demonstrado seu desenvolvimento deixa preocupações naqueles que se propoem a pensar na vida em sociedade e de que maneira ela poderia ser melhor. Alguns dos efeitos problemáticos das tecnologias hoje perpassam pela intensificação da alienação (social e do trabalho), distorção da percepção da realidade (já que a pessoa se relaciona em "bolhas"/ círculos específicos em redes e grupos sociais e desenvolve a impressão de que 1. o mundo se resume àquela determinada bolha; 2. os acontecimentos são efêmeros. Apenas esses dois pontos são responsáveis por desencadear sérios distúrbios mentais. Assim, podemos dizer que o mundo moderno/contemporâneo caminharam para uma sociedade que corre demais e não tem equilíbrio mental para sustentar a vida da exploração do trabalho e do culto às tecnologias em detrimento do contato humano.
Juliana Macedo RA: 21035314
ExcluirRaphaela T. Oliveira RA: 21045615
Resposta a Luiza,
A bolha social é realmente um problema, principalmente nas redes sociais em que as pessoas que não pensam igual a você, podem ser excluídas da sua vida com um clique. Debates são banalizados e logo levados a troca de ofensas. O desrespeito e a intolerância se tornam cada vez mais decorrentes na discussão, o que contribui para a disseminação de discursos de ódio contra os que discordam de determinada visão de mundo. Isso ocasiona um espécie de paralisia intelectual, uma polarização cada vez mais dos discursos.
continuação Luiza Fegadolli
ResponderExcluirNesse sentido, o video trata de diversos temas, como o consumo inconsciente e alimentação não saudável, a perda de percepção da realidade devido ao uso excessivo de tecnologias/celulares, o excesso de população nos transportes e nas ruas como se não tivéssemos personalidade e não fossemos importantes, a repetição da rotina sem sentido dia após dia e desespero de trabalhadores e trabalhadoras que não conseguem mais simplesmente repetir sem questionar, a baixa qualidade dos conteúdos que acessamos atraves da cultura de massas, o fato de terceirizarmos e consumirmos coisas o mais prontas o possível (enlatados, eletrodomésticos e outras), a morte de animais e destruição da natureza para que se mantenha os padrões de consumo, pessoas que perdem o controle de suas vidas e passam a só reproduzir comportamentos induzidos pelo sistema, criando um ciclo vicioso em que só um lado se beneficia, a pressão estética e, finalmente, capitalistas felizes e satisfeitos frente a um mundo de caos e destruição. De fato a realidade retratada no vídeo é muito pessimista e retrata o mundo como se vivêssemos numa realidade anarcocapitalista. Por esse ultimo motivo, fica difícil enquadrarmos o conteúdo do vídeo no o que aprendemos no Dicionário de Política de Bobbio, em que ele analisa formas de governo sob a perspectiva de um Estado Democrático. Farei uma análise, então, sobre a democracia numa sociedade de consumo capitalista. Pressupomos que a democracia é o conjunto de regras e instituições que permite a disputa de poder político, permite que os cidadãos possam votar e serem votados e visa garantir um certo estado de direitos fundamentais que não desrespeite a liberdade e a dignidade de cada um. Tomando, também, que o conteúdo retratado no vídeo é exagerado, pois nem todo o mundo está nas condições em questão, mas é real, pois muitas partes do mundo passam por crises ambientais e humanas, reflito: nem todos, nessa sociedade desigual, podem votar e serem votados, pois as regras que definem o sistema elelitoral privilegiam aqueles com mais dinheiros para campanha, nesse sentido, podemos dizer que por mais que a disputa eleitoral aconteça, alguns interesses nunca são questionados, pois são estes que dominam todo o sistema em que estamos inseridos. Para além disso, o único momento em que o "homem comum" é posto em evidencia na sociedade de mercado (observando o video) é quando ele está consumindo. Fora isso, o ser predominante no mundo é o capitalista que, enquanto acontecem "disputas democráticas", segue fazendo planos e criando projetos de globalização, diminuição de fronteiras, fluxos de capital para que a ordem mundial o favoreça. Assim, a desigualdade economica acentuada pode até ser reduzida por meio da democracia, mas se inserirmos o Brasil, por exemplo, na ordem mundial, poderemos observar que a Divisão Internacional do Trabalho segue fortalecendo mecanismos de segregação entre o norte e o sul e os ricos e os pobres.
Luiza,
ExcluirDiscuta um ponto ainda não refletido por nenhum de seus colegas até agora: argumente como a sociedade do espetáculo é representada atualmente no contexto democrático, utilizando uma das figuras do vídeo para complementar sua resposta (dica: uma das últimas).
Att,
Moderador
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirAs disputas democráticas hoje são fortemente marcadas pelas campanhas publicitárias, a atuação das mídias tradicionais e não tradicionais e menos marcada pela opinião real do eleitor. Em outras palavras, o voto se exprime mais pelo que os candidatos parecem ser do que pela real qualidade de suas ações. A sociedade do espetáculo, não só no contexto de eleições democráticas, mas também em todo o contexto social toma forma quando as relações sociais entre indivíduos passa a ser mediatizada por imagens, quando programas de alta audiencia fazem possível que a opinião pública perca sua evidencia e a mente dos indivíduos seja tomada pela exposição da vida pessoal, de seus sentimentos em detrimentos dos fatos de ordem pública. A sociedade so espetáculo é expressa no contexto democrático quando passa a importar mais o que certa pessoa pública faz/é ou não em sua intimidade do que em sua vida pública. Citaria duas imagens do vídeo para falar sobre a sociedade do espetáculo: a da família vendo conteúdos "lixo" na televisão da sala e o homem que corta a propria barriga com a faca por não suportar a pressão estética. As pessoas passam a induzir seus comportamentos pelo que a sociedade espera delas e o que é demonstrado por meio das mídias.
ExcluirGalera, agora estão encerrados os comentários gerais sobre o vídeo a partir dessa postagem. Agora apenas atente-se, até às 12h, a discutir o comentário de outros colegas (não se esqueçam de referir a quem estão comentando) e responder o que comentei - para aqueles que ainda não o fizeram.
ResponderExcluirAtt,
Moderador